Endividamento das famílias em SP atinge maior nível em 3 anos
Pesquisa da FecomercioSP revela que mais de três milhões de lares paulistanos possuem dívidas, pressionados pela alta nos alimentos
- Publicado: 18/05/2026 08:07
- Alterado: 18/05/2026 09:25
- Autor: Thiago Antunes
- Fonte: FecomercioSP
O Endividamento das famílias na capital paulista atingiu 72,9% em abril, o patamar mais alto dos últimos três anos. Os dados integram a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor, divulgada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP). Atualmente, 3,28 milhões de lares possuem algum tipo de dívida na metrópole.
A escalada dos preços de alimentos e combustíveis pressionou o orçamento doméstico. Sem alternativas imediatas, parte da população recorreu ao crédito para cobrir despesas básicas. O mercado de trabalho aquecido freou uma deterioração mais acelerada, mas a pressão financeira continua constante no bolso dos paulistanos.
Cartão de crédito impulsiona o Endividamento

O avanço do Endividamento atingiu todas as faixas de renda na cidade de São Paulo. O cartão de crédito desponta como o principal mecanismo desse cenário, presente em 79,6% dos lares. Consumidores utilizam o limite rotativo rotineiramente para garantir a compra de itens essenciais e manter o padrão de consumo diário.
A fatia da renda comprometida com os débitos caiu levemente para 26,5%, índice inferior aos 29,2% observados no mesmo período de 2025. O prazo médio de pagamento também encolheu de 7,5 para 6,8 meses. Esses números indicam uma busca por recursos de curto prazo, direcionados para necessidades urgentes no lugar de financiamentos longos.
Contas em atraso e intenção de compra

A inadimplência afeta 946 mil famílias, representando 21% do total. O ciclo de Endividamento prolongado dificulta a recuperação financeira sem acordos ou renegociações estruturadas. Cerca de 9,1% dos cidadãos com pendências declaram incapacidade total de quitar as faturas atuais.
O tempo médio de atraso saltou de 60 para 66,6 dias. Mesmo com as finanças no vermelho, a intenção de buscar novos empréstimos subiu para 12,2%. A maioria absoluta desse grupo, o equivalente a 83,7%, planeja destinar os novos recursos para compras rotineiras de supermercado e despesas básicas.
Políticas de mitigação
Programas federais de renegociação apresentam eficácia limitada na visão da entidade comercial por atuarem apenas de forma paliativa. “O caminho mais efetivo passa pela redução dos juros cobrados ao consumidor, pela ampliação da educação financeira e por políticas que garantam a sustentação da renda”, avaliou a FecomercioSP em análise técnica do cenário. Para estancar a crise, medidas conjunturais sólidas são essenciais para evitar que o Endividamento sufoque definitivamente a economia local nos próximos meses.