Comércio paulista cai 7,5% e tem pior fevereiro em vendas

Faturamento varejista perde R$ 8,9 bilhões em relação ao ano passado. Alta dos juros, inflação e apostas online asfixiam o setor.

Crédito: Divulgação/PMSBC

O Comércio paulista registrou uma queda profunda de 7,5% nas vendas em fevereiro frente ao mesmo período do ano passado. O faturamento real do varejo atingiu R$ 110,1 bilhões, um encolhimento de R$ 8,9 bilhões que consolida um dos piores resultados da série histórica.

A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) e a Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo (Sefaz/SP) mapearam o tombo. O encolhimento nos dias úteis do mês gerou impacto direto no caixa dos lojistas de todo o estado.

O encarecimento do crédito asfixiou imediatamente as vendas de bens duráveis. “O cenário de desaceleração do consumo das famílias já era esperado, tanto pela forte base de comparação quanto por aspectos macroeconômicos”, explicou a federação.

Retração atinge o Comércio paulista em cheio

O balanço negativo do Comércio paulista alcançou oito das nove atividades pesquisadas. O setor de eletrodomésticos, eletrônicos e lojas de departamento liderou o colapso com um desabamento de 23,2%. As lojas de móveis e decoração encolheram 13,9%, enquanto os materiais de construção baixaram 13,1%.

Segmentos essenciais demonstraram forte recuo frente à crise de poder aquisitivo. Os supermercados amargaram redução de 3,5% nas receitas. O varejo de vestuário e calçados perdeu 3,4%. Apenas as farmácias e perfumarias sustentaram estabilidade no faturamento durante o período analisado.

O consumidor tenta equilibrar o orçamento doméstico substituindo produtos e buscando alternativas baratas para driblar os preços altos. A falta de dinheiro no bolso atinge diretamente as compras recorrentes e compromete até as necessidades básicas dos lares.

Capital amarga prejuízo bilionário nas vendas

A cidade de São Paulo ancorou os piores índices do Comércio paulista no mês. O faturamento na metrópole despencou 10,5%, gerando uma receita total de R$ 32,9 bilhões. A perda equivalente a R$ 3,9 bilhões materializa o esgotamento financeiro absoluto das famílias urbanas.

Despesas fixas inflexíveis com moradia e transporte corroem a renda disponível da população. O crescimento vertiginoso das apostas online surgiu como um dreno invisível, disputando agressivamente o orçamento que antes garantia o giro financeiro das lojas tradicionais de rua e shoppings.

O alto endividamento força o consumidor a uma postura de cautela paralisante no varejo físico e digital. O adiamento imediato de compras não urgentes dita o atual ritmo do Comércio paulista, que precisará lutar para reverter o forte acúmulo negativo cravado no primeiro bimestre.

  • Publicado: 14/05/2026 10:57
  • Alterado: 14/05/2026 10:57
  • Autor: Thiago Antunes
  • Fonte: FecomercioSP