Endividamento de famílias em SP atinge maior nível em 4 anos
Pesquisa da FecomercioSP revela que 74,2% das famílias paulistanas possuem dívidas ativas, impulsionadas pelo uso do cartão de crédito.
- Publicado: 10/06/2026 09:47
- Alterado: 10/06/2026 09:47
- Autor: Thiago Antunes
- Fonte: FecomercioSP
O endividamento atingiu 74,2% das famílias na capital paulista em maio de 2026, marcando o maior nível em quase quatro anos. A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), elaborada pela FecomercioSP, aponta que 3,33 milhões de lares registram algum tipo de conta pendente. O índice superou os 72,9% apurados em abril e os 71,2% do mesmo período no ano passado.
A inflação próxima ao teto da meta do Banco Central pressiona o orçamento doméstico e leva os consumidores a buscar linhas de crédito para sustentar o padrão de vida. O levantamento indica uma preferência por recursos rápidos para cobrir despesas cotidianas. A parcela média da renda comprometida apresentou um leve recuo, passando de 26,5% em abril para 26,1% em maio.
Cartão lidera o endividamento paulistano
Oito em cada dez lares utilizam o cartão de crédito como principal modalidade de dívida, representando 79,3% das respostas. O financiamento da casa própria aparece na sequência, com 17,5%. O avanço dos compromissos financeiros afetou negativamente todas as faixas de renda mapeadas.
Famílias com ganhos de até dez salários mínimos viram o endividamento subir de 76,3% para 77,5%. O grupo com rendimentos superiores a esse patamar também registrou aumento, saltando de 63,1% para 64,6% no período analisado.
O prazo de comprometimento da renda reflete o uso intenso de recursos emergenciais. Dívidas com duração de até três meses saltaram para 34,3% em maio. Esse perfil de curto prazo reforça a dependência das famílias em relação aos juros rotativos para fechar as contas.
Inadimplência e mercado de trabalho
O aquecimento do emprego e o aumento geral da renda impedem que o alto endividamento provoque um calote generalizado no curto prazo. Os dados mostram que 21,1% das residências possuem contas em atraso, número praticamente estável em relação a abril. O grupo que declara incapacidade total de quitar os débitos no mês seguinte ficou em 8,9%.
A manutenção dos postos de trabalho atua como barreira principal contra o agravamento do cenário. Qualquer enfraquecimento do emprego formal pode acelerar a deterioração financeira e aumentar rapidamente a inadimplência na cidade.
Críticas às políticas do governo federal
A FecomercioSP classifica o programa Desenrola 2.0 como uma medida paliativa e de eficácia limitada. A entidade defende que os descontos propostos auxiliam quem já possui capacidade de pagamento, mas ignoram a base estrutural do problema econômico.
“O caminho mais efetivo passa pela redução dos juros cobrados ao consumidor, pela ampliação da educação financeira e por políticas que garantam a sustentação da renda de forma consistente”, destacou a Federação.
A liberação eventual de recursos do FGTS representa apenas um alívio temporário para o orçamento familiar estrangulado. A conjuntura exige cautela, pois a combinação de crédito caro e inflação persistente sustenta um ciclo contínuo de endividamento para a população.