“Elas no Topo” 2: Aida dos Santos, o salto sobre a invisibilidade

No episódio 2 da série “Elas no Topo”, o ABCdoABC conta a história de Aida dos Santos, uma atleta na modalidade salto em altura.

Crédito: Arte criada por ChatGPT

Dando continuidade ao episódio 2 da série “Elas no Topo”, do portal ABCdoABC, na qual homenageamos mulheres que foram destaque no esporte, hoje iremos conhecer a história de Ada dos Santos. Se hoje celebramos grandes delegações femininas, em 1964, o cenário era de um deserto. Aida, uma jovem negra de Niterói, no Rio de Janeiro, filha de um pedreiro e uma lavadeira, chegou aos Jogos Olímpicos de Tóquio sob total descrença. 

Ela não era apenas uma atleta; era uma “intrusa” em um sistema que não planejou sua ida. Assim como Maria Lenk, que contamos ontem no “Elas no Topo”, em 1932, Ainda foi a única mulher da delegação brasileira em 1964 (entre 61 homens).

Lembrando: você pode participar de nossa série. Ao final, contamos mais!

Série “Elas no Topo” EP 2 – Aida dos Santos

A série "Elas no Topo" EP 2 conta a história de Aida dos Santos - Divulgação
A série “Elas no Topo” EP 2 conta a história de Aida dos Santos – Divulgação

O ponto alto desta reportagem deve ser a final do salto em altura. É aqui que o título “Elas no Topo” ganha um significado literal e dramático.

Durante as eliminatórias, Aída sofreu uma entorse grave no tornozelo. Sem médico brasileiro para atendê-la, ela mesma fez um curativo improvisado, enfaixou o pé e seguiu para a final.

Saltando com dores excruciantes, Aída alcançou a marca de 1,74m. Ela conquistou o 4º lugar olímpico. Durante 32 anos, este foi o melhor resultado individual de uma mulher brasileira em Olimpíadas. Ela só foi superada em 1996 (pelo ouro de Jackie e Sandra) e em 2008 (pelo ouro de Maurren Maggi).

A série “Elas no Topo” EP 2 conta a história de Aida dos Santos – Reprodução

Além das Pistas: A Construção do Intelecto

A série “Elas no Topo” EP 2 conta a história de Aida dos Santos – Reprodução

Assim como Maria Lenk, Aída entendeu que o esporte precisava de base teórica e acadêmica para que outras mulheres não passassem pelo que ela passou.

Aída não parou no atletismo. Ela é graduada em Educação Física, Pedagogia e Geografia. Dedicou décadas à vida acadêmica, tornando-se professora na Universidade Federal Fluminense (UFF). Ela transformou sua experiência de abandono em Tóquio em uma luta pedagógica por melhores condições para atletas brasileiros.

O legado de família e o Círculo da Glória

Um detalhe fascinante para o seu especial é a conexão geracional. Aída é mãe de Valeskinha, campeã olímpica de vôlei em Pequim-2008.

Em 1964, Aída voltou de Tóquio sem medalha e sem apoio. Em 2008, ela viu sua filha no topo do pódio. O ouro da filha é, simbolicamente, a medalha que o Brasil “esqueceu” de ajudar Aída a conquistar.

Em 2006, ela finalmente recebeu o Troféu Adhemar Ferreira da Silva no Prêmio Brasil Olímpico, um reconhecimento de que sua trajetória foi a base de tudo o que o atletismo feminino é hoje.

Por que Aída é “Elas no Topo“?

Diferente de atletas que contam com centros de treinamento de ponta, Aída chegou ao topo do mundo sendo ignorada pelo próprio país enquanto competia. Ela provou que o pertencimento da mulher negra no esporte é uma barreira que se quebra com técnica, mas, acima de tudo, com uma força mental inabalável.

Participe da série “Elas no Topo”

Qual atleta do ABC merece ser homenageada no “Elas no Topo”? Participe!

Nesta série especial queremos prestar homenagem a atletas mulheres do Grande ABC. Portanto, se vocês conhecem e querem indicar mulheres do esporte da região que merecem estar no “topo” de nosso portal, mande para nós em nossas redes sociais:

  • Publicado: 05/03/2026
  • Alterado: 05/03/2026
  • Autor: 05/03/2026
  • Fonte: ABCdoABC