“Elas no Topo” 2: Aida dos Santos, o salto sobre a invisibilidade
No episódio 2 da série “Elas no Topo”, o ABCdoABC conta a história de Aida dos Santos, uma atleta na modalidade salto em altura.
- Publicado: 05/03/2026
- Alterado: 05/03/2026
- Autor: Gabriel de Jesus
- Fonte: ABCdoABC
Dando continuidade ao episódio 2 da série “Elas no Topo”, do portal ABCdoABC, na qual homenageamos mulheres que foram destaque no esporte, hoje iremos conhecer a história de Ada dos Santos. Se hoje celebramos grandes delegações femininas, em 1964, o cenário era de um deserto. Aida, uma jovem negra de Niterói, no Rio de Janeiro, filha de um pedreiro e uma lavadeira, chegou aos Jogos Olímpicos de Tóquio sob total descrença.
Ela não era apenas uma atleta; era uma “intrusa” em um sistema que não planejou sua ida. Assim como Maria Lenk, que contamos ontem no “Elas no Topo”, em 1932, Ainda foi a única mulher da delegação brasileira em 1964 (entre 61 homens).
Lembrando: você pode participar de nossa série. Ao final, contamos mais!
Série “Elas no Topo” EP 2 – Aida dos Santos

O ponto alto desta reportagem deve ser a final do salto em altura. É aqui que o título “Elas no Topo” ganha um significado literal e dramático.
Durante as eliminatórias, Aída sofreu uma entorse grave no tornozelo. Sem médico brasileiro para atendê-la, ela mesma fez um curativo improvisado, enfaixou o pé e seguiu para a final.
Saltando com dores excruciantes, Aída alcançou a marca de 1,74m. Ela conquistou o 4º lugar olímpico. Durante 32 anos, este foi o melhor resultado individual de uma mulher brasileira em Olimpíadas. Ela só foi superada em 1996 (pelo ouro de Jackie e Sandra) e em 2008 (pelo ouro de Maurren Maggi).

Além das Pistas: A Construção do Intelecto

Assim como Maria Lenk, Aída entendeu que o esporte precisava de base teórica e acadêmica para que outras mulheres não passassem pelo que ela passou.
Aída não parou no atletismo. Ela é graduada em Educação Física, Pedagogia e Geografia. Dedicou décadas à vida acadêmica, tornando-se professora na Universidade Federal Fluminense (UFF). Ela transformou sua experiência de abandono em Tóquio em uma luta pedagógica por melhores condições para atletas brasileiros.
O legado de família e o Círculo da Glória
Um detalhe fascinante para o seu especial é a conexão geracional. Aída é mãe de Valeskinha, campeã olímpica de vôlei em Pequim-2008.
Em 1964, Aída voltou de Tóquio sem medalha e sem apoio. Em 2008, ela viu sua filha no topo do pódio. O ouro da filha é, simbolicamente, a medalha que o Brasil “esqueceu” de ajudar Aída a conquistar.
Em 2006, ela finalmente recebeu o Troféu Adhemar Ferreira da Silva no Prêmio Brasil Olímpico, um reconhecimento de que sua trajetória foi a base de tudo o que o atletismo feminino é hoje.
Por que Aída é “Elas no Topo“?
Diferente de atletas que contam com centros de treinamento de ponta, Aída chegou ao topo do mundo sendo ignorada pelo próprio país enquanto competia. Ela provou que o pertencimento da mulher negra no esporte é uma barreira que se quebra com técnica, mas, acima de tudo, com uma força mental inabalável.
Participe da série “Elas no Topo”

Nesta série especial queremos prestar homenagem a atletas mulheres do Grande ABC. Portanto, se vocês conhecem e querem indicar mulheres do esporte da região que merecem estar no “topo” de nosso portal, mande para nós em nossas redes sociais: