EJA tem estudo realizado e aponta desafio acesso à escolarização

Estudo inédito revela que 700 mil pessoas não concluíram o ensino básico na região, enquanto a oferta de vagas cobre apenas 1,7% da demanda.

Crédito: Divulgação/Consórcio ABC

A oferta de EJA atinge níveis críticos nas sete cidades que compõem o Grande ABC paulista. Um novo diagnóstico técnico expõe um apagão estrutural na escolarização tardia regional. O levantamento consolida dados alarmantes sobre a disparidade entre a procura por estudos e as vagas efetivamente abertas.

O Consórcio Intermunicipal Grande ABC lançou nesta segunda-feira (9) o documento elaborado pelo Observatório de Políticas Educacionais. A equipe de pesquisa cruzou informações demográficas do IBGE e métricas de desempenho do Inep referentes ao ano de 2025.

Queda nas matrículas de EJA agrava déficit

A professora Maria Clara Di Pierro assumiu a apresentação dos resultados. O mapeamento escancara que quase 700 mil adultos locais não finalizaram a educação básica.

Essa imensa demanda potencial colide com uma rede pública de ensino insuficiente. Atualmente, as classes de EJA conseguem acolher parcos 1,7% do público necessitado. O Censo Escolar de 2024 contabilizou apenas 12 mil matrículas nessa modalidade em todo o território.

O cenário de desidratação das vagas na última década inclui os seguintes indicadores absolutos:

  • Retração de 56,2% no volume de matrículas entre 2014 e 2024.
  • Fechamento sistemático de turmas na rede estadual de ensino paulista.
  • Sobrecarga das prefeituras para suprir o encerramento unilateral de ciclos.

Painel de dados expõe inércia educacional

O esvaziamento das salas de aula contraria as diretrizes estabelecidas pelo Plano Nacional de Educação. As administrações municipais prometeram erradicar o analfabetismo, mas as estratégias permanecem no papel. Os responsáveis pelo estudo alertam que as metas vigentes dificilmente serão alcançadas a tempo.

Para democratizar a fiscalização, o consórcio inaugurou uma plataforma digital interativa. O sistema agrupa o histórico das unidades com ensino supletivo e facilita o monitoramento contínuo por gestores públicos e sociedade civil.

O financiamento direto da Fapesp garantiu a viabilidade de toda a pesquisa. A execução operacional aconteceu mediante uma parceria estrutural entre a UFABC e o bloco regional de prefeitos.

“O objetivo da apresentação da nota técnica é contribuir para o debate público sobre o direito à educação ao longo da vida. Fortalecer a EJA significa ampliar oportunidades de inclusão social, qualificação profissional e participação cidadã.”

A declaração de Aroaldo Silva, secretário-executivo da entidade, dimensiona a urgência do problema. Ele pontua que repensar o aprendizado contínuo ganha relevância máxima durante a revisão dos planos municipais e nacionais.

O abismo entre a necessidade de qualificação da população e a disponibilidade real de carteiras escolares exige intervenção imediata. Sem a expansão estratégica e urgente da EJA, o Grande ABC caminha para perpetuar a exclusão de milhares de cidadãos do mercado de trabalho formal.

  • Publicado: 10/03/2026
  • Alterado: 10/03/2026
  • Autor: 10/03/2026
  • Fonte: Consórcio ABC