Eduardo Paes é criticado por imitar deficiente visual no Carnaval
Vídeo de Eduardo Paes gesticulando com bengala e óculos escuros no Carnaval viraliza e gera forte reação de internautas e entidades.
- Publicado: 20/02/2026
- Alterado: 19/02/2026
- Autor: Daniela Penatti
- Fonte: Patati Patatá Circo Show
Eduardo Paes, prefeito do Rio de Janeiro, está no centro de uma polêmica digital após a circulação de um vídeo gravado no último domingo (15). Nas imagens, que ganharam tração nas redes sociais nesta terça-feira (17), o político aparece em um camarote na Marquês de Sapucaí utilizando óculos escuros e uma bengala — acessórios fundamentais de acessibilidade para pessoas com deficiência visual — de forma que muitos interpretaram como uma imitação caricata. A conduta de Eduardo Paes foi prontamente classificada por usuários e ativistas como desrespeitosa e capacitista.
Intervenção da primeira-dama e repercussão imediata
O registro mostra o prefeito mantendo os gestos por alguns segundos, simulando a movimentação de uma pessoa cega, até ser interrompido por sua esposa, a primeira-dama Cristine Paes. A intervenção de Cristine, que parece tentar cessar a brincadeira, não impediu que o vídeo de Eduardo Paes fosse compartilhado massivamente, gerando um debate sobre os limites do comportamento de figuras públicas em eventos populares.
Até o momento, a postura de Eduardo Paes tem sido o silêncio. Internautas apontam que a utilização de itens de apoio como “adereços de deboche” fere a dignidade de uma parcela significativa da população que depende desses instrumentos para sua autonomia e segurança.
Autoridades e convidados presentes no camarote
No momento em que as cenas foram registradas, o camarote de Eduardo Paes recebia uma comitiva de alto escalão do governo federal. Entre os convidados ilustres estavam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a primeira-dama Janja da Silva, que compareceram ao Sambódromo para acompanhar o desfile da Acadêmicos de Niterói, escola que prestou uma homenagem ao mandatário.
Além do casal presidencial, também acompanhavam Eduardo Paes o vice-prefeito do Rio, Eduardo Cavalieri, e a deputada federal Gleisi Hoffmann. Apesar da presença de diversas autoridades no local, não houve registros de interferência ou comentários imediatos dos convidados sobre o episódio protagonizado pelo prefeito durante a descida para a avenida.
Silêncio da prefeitura e os 2 lados do debate
A reportagem do portal entrou em contato com a assessoria de comunicação da Prefeitura do Rio de Janeiro, solicitando um posicionamento oficial de Eduardo Paes sobre as acusações de capacitismo. No entanto, até a última atualização desta matéria, não houve qualquer resposta ou nota oficial emitida pelo gabinete do prefeito.
Enquanto a oposição e movimentos sociais cobram uma retratação pública de Eduardo Paes, aliados e defensores nas redes sociais tentam minimizar o ocorrido, alegando tratar-se de um momento de descontração carnavalesca. Contudo, especialistas em direitos das pessoas com deficiência reiteram que o uso de bengalas em tom de mofa reforça estigmas e preconceitos estruturais que o poder público deveria, em tese, combater.