Economia de água reforça segurança hídrica em São Paulo
Medida de redução de pressão noturna preserva o estoque de água em SP e garante abastecimento de 3 grandes cidades por um mês.
- Publicado: 03/02/2026
- Alterado: 03/02/2026
- Autor: Redação
- Fonte: Michel Teló
A gestão estratégica dos recursos de água na Região Metropolitana de São Paulo alcançou uma marca histórica em 2026. Desde o início da política de redução de pressão noturna, em 27 de agosto, o volume poupado somou 83 bilhões de litros. Para se ter uma dimensão do impacto, esse montante seria suficiente para suprir, durante 30 dias inteiros, o consumo somado das cidades de São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo.
A estratégia atende a uma deliberação da Arsesp (Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo) e surge como resposta direta à pior estiagem dos últimos dez anos. Em um cenário de emergência climática global, a preservação da água tornou-se a prioridade número um para evitar o desabastecimento severo na maior metrópole da América Latina.
Mudança nos horários e foco na resiliência
O cronograma de redução de pressão passou por ajustes recentes para maximizar a preservação dos mananciais. Se inicialmente a medida ocorria por oito horas, desde o dia 22 de setembro o período foi ampliado: agora, o fluxo é reduzido das 19h às 5h.
A Sabesp reconhece que os desafios para garantir a água nas torneiras de 22 milhões de pessoas são estruturais. Por isso, a companhia está investindo mais de R$ 5 bilhões em obras de resiliência hídrica até 2027. O objetivo é adicionar 8 mil litros por segundo ao sistema, fortalecendo a segurança de toda a rede contra eventos climáticos extremos, que se tornaram mais frequentes e severos.
17% mais oferta: As obras que sustentam o sistema
Dentre os avanços recentes, destaca-se a entrega da nova captação do Itapanhaú, concluída em 2025. Essa obra estratégica elevou em 17% o volume de “água nova” disponível para o Sistema Alto Tietê, utilizando um manancial anteriormente inexplorado para o abastecimento público.
Além disso, o plano de modernização entregou, no início do ano passado:
- Três novas estações de tratamento na capital paulista;
- Um novo reservatório de grande porte;
- Uma estação de bombeamento de alta performance.
Essas intervenções são fundamentais para que a distribuição de água seja mantida mesmo em períodos de baixíssima pluviosidade, garantindo que o sistema suporte a pressão da demanda urbana.
O papel da população e o Programa Reserva Certa
A Sabesp reforça que a colaboração da sociedade é o pilar que sustenta as obras de engenharia. Imóveis que possuem caixa-d’água dimensionada conforme as normas técnicas (Decreto Estadual nº 12.342/78) não devem sentir os efeitos da redução noturna. Para apoiar as famílias de baixa renda, foi criado o Programa Reserva Certa, que foca na doação e instalação gratuita de reservatórios, garantindo que ninguém fique sem água durante os horários de manobra técnica.
6 dicas fundamentais para o uso consciente da água
Para atravessar este período crítico, pequenas mudanças de hábito são essenciais:
- Banhos rápidos: Reduzir o tempo no chuveiro economiza dezenas de litros por minuto.
- Torneiras fechadas: Não deixe a água correr enquanto escova os dentes ou faz a barba.
- Xô, mangueira: Utilize baldes para lavar o carro; a mangueira é a maior vilã do desperdício.
- Vassoura primeiro: Limpe a calçada com vassoura e, se necessário, use apenas um balde.
- Carga máxima: Só utilize máquinas de lavar roupa ou louça quando estiverem totalmente cheias.
- Limpeza prévia: Retire o excesso de comida dos pratos com a esponja antes de abrir a torneira.
A conscientização sobre o uso da água é o que permitirá que os reservatórios operem em níveis seguros até a normalização das chuvas, protegendo o futuro hídrico de São Paulo.