Drones revolucionam limpeza de fachadas em São Paulo

Tecnologia chama atenção de pedestres e empresas

Crédito: Drone com a base criada com filamentos de garrafa PET e a base original/Lílian Tremea de Castro/Colégio Marista São Luís

A cena inusitada de um drone lavando a fachada de um prédio chamou a atenção de pedestres e trabalhadores na zona oeste de São Paulo. O equipamento, equipado com uma mangueira de alta pressão, foi visto em ação no complexo empresarial E-Business Park, na Lapa.

Entre os espectadores estava o operador de logística Pablo Muniz, que, surpreso com a novidade, comentou: “Nunca vi isso antes. Só tenho pena dos trabalhadores que podem perder seus empregos”.

O interesse pelo drone não se restringiu a Muniz. Funcionários de um mercado próximo interromperam suas atividades para registrar o momento com seus celulares.

A tecnologia, que vem ganhando espaço no setor de limpeza predial, foi operada por Luciano Cardoso, proprietário da empresa Dronewash. Com pouco mais de um ano no mercado, a empresa já realizou trabalhos em grandes estruturas, incluindo a Neo Química Arena, estádio do Corinthians.

Vantagens e desafios da tecnologia

Os drones utilizados na limpeza funcionam com jatos de água desmineralizada, que removem até 90% da sujeira sem necessidade de produtos químicos agressivos. Em alguns casos, é aplicada uma espuma específica para potencializar a limpeza. Segundo Cardoso, um drone pode higienizar uma fachada de três andares e dez metros de largura em apenas 30 minutos, demonstrando rapidez e eficiência.

Além da velocidade, a tecnologia reduz a necessidade de andaimes e equipamentos tradicionais, diminuindo riscos de acidentes. No entanto, desafios logísticos ainda existem. “As fachadas de alumínio composto (ACM), por exemplo, exigem produtos mais leves para evitar danos”, explica o empresário.A gestora do E-Business Park, Renata Hirata, destacou a eficiência da limpeza com drones, mas levantou preocupações com o consumo de água.

“Em um dia, eles conseguem limpar o prédio todo, enquanto os trabalhadores em rapel levam três. O problema é a água utilizada, especialmente após a privatização da Sabesp, que aumentou os custos”, afirmou.Substituição dos alpinistas industriais?Apesar do avanço da tecnologia, especialistas garantem que os drones não substituirão completamente os alpinistas industriais, que realizam limpezas em locais de difícil acesso. “Os drones não são eficazes em grandes alturas ou áreas muito apertadas”, explica Marcello Galindo, diretor da Urano Drone Wash, startup que atua no setor.

Outro desafio enfrentado é a curiosidade do público, que pode representar um risco à segurança. “Durante um trabalho em uma concessionária na Avenida Bandeirantes, uma viatura policial deu várias voltas antes de parar para perguntar o que estava acontecendo”, relembra Fernando Rosetti, da Drone Clean, empresa que atua em cinco estados.Para evitar aglomerações, algumas empresas preferem realizar os serviços durante a noite ou aos finais de semana.

“O drone é uma aeronave e precisa de espaço para um pouso de emergência, algo que pode ser comprometido com uma multidão ao redor”, ressalta Galindo.A tendência aponta para uma integração entre drones e profissionais tradicionais, unindo tecnologia e experiência para otimizar a limpeza predial. Enquanto isso, o espetáculo das lavagens aéreas continua impressionando os paulistanos.

  • Publicado: 20/01/2026
  • Alterado: 20/01/2026
  • Autor: 29/03/2025
  • Fonte: Farol Santander São Paulo