Por trás da bandeira: Drags que desafiam o tempo na Parada LGBT+ 2025

Com o tema "Envelhecer LGBT+", a Parada deste ano trouxe histórias de resistência e autoexpressão. Mikaella Cazzarinni e Tbengston Martins compartilharam suas trajetórias, mostrando que o brilho da arte drag não tem idade.

Crédito: Suzana Rezende / ABCdoABC

Em meio ao mar de cores, bandeiras e glitter que tomou conta da Avenida Paulista durante a Parada LGBT+ 2025, duas drags roubaram a cena com seus figurinos impecáveis e discursos de resistência. Assim como esses casais do primeiro episódio.

Ambas trazem na bagagem anos de dedicação à arte drag, enfrentando preconceitos e celebrando a liberdade de ser quem são.

Para Mikaella Cazzarinni, de 34 anos, e para Tbengston Martins, que já acumula 48 anos de carreira como drag, a participação na parada vai muito além do entretenimento. É um ato político, uma celebração da identidade e, principalmente neste ano, um manifesto sobre como é envelhecer sendo uma pessoa LGBT+.

“O tema desse ano me representa muito. A gente vai amadurecendo, mas a vontade de estar aqui, de fazer presença, de lutar, só aumenta”, disse Mikaella, que veio de Minas Gerais para São Paulo especialmente para o evento.

Tbengston Martins, do Rio de Janeiro, reforçou a importância de celebrar a longevidade na comunidade drag. “Estou há 48 anos como drag, 48 anos de luta e essa é a 23ª parada que participo. Envelhecer com sabedoria, envelhecer com segurança, com educação porque o lugar da diversidade é em qualquer lugar. Muito importante esse tema, a nossa memória, a nossa luta”, afirmou.

Mikaella Cazzarinni: uma década de luta, maquiagem e transformação

Drags parada 2025 - Mikaella

Natural de Minas Gerais, Mikaella Cazzarinni começou a se montar há cerca de dez anos e desde então nunca mais parou. A cada edição da Parada LGBT+, ela marca presença com looks elaborados e uma energia contagiante.

“Me monto há uns 10 anos e todo ano eu venho preparada desde 2009, lutando pela causa, dando close e lutando pelos direitos”, contou.

A paixão pela arte drag surgiu de forma inesperada. “Foi um amigo meu que me maquiou e eu estava deitado no colo dele, e eu gostei da experiência”, relembra.

Depois disso, veio o impacto de assistir ao programa RuPaul’s Drag Race, que impulsionou muitas novas drags ao redor do mundo. “Comecei a assistir o RuPaul Drag Race, e aí foi o auge, inclusive até a Pabllo Vittar também conta a história dela, que começou a se montar após o RuPaul, e não parei mais.”

Mesmo com o passar dos anos e as transformações em sua vida pessoal e profissional, Mikaella segue firme na missão de representar a comunidade LGBT+.

A relação com a família é de respeito, mesmo com algumas barreiras. “Minha família… Eu acho que não sabe, mas minha mãe já me viu uma vez. Eles são bem discretos, eles me respeitam, então, sabem que eu não uso droga, então, é tranquilo.”

Para quem sonha em começar na arte drag, o recado de Mikaella é claro: começar com o básico e ter paciência.

“Qualquer pessoa, até a Pabllo, a gente começa com coisas mais simples, a gente não tem condição, aí depois a gente vai evoluindo. Uma peruca boa e as maquiagens básicas e tutoriais no YouTube. Eu aprendi muito em tutorial no YouTube e prática, você vai se maquiando e vai aprendendo.”

O que ela quer deixar de mensagem para quem a viu na Parada? “Liberdade, seja você, não tenha medo de se jogar na rua. Principalmente eu, né, porque fora essa transformação, eu sou uma pessoa completamente diferente. Quando eu me monto, me transformo em outra pessoa, outra personalidade. Também pelas pessoas, elas gostam ou não, eu vou me jogar, e é isso, seja você.”

Tbengston Martins: quase meio século de resistência e memória

Drags parada 2025 - Tbengston

Tbengston Martins, figura conhecida no cenário LGBT+ carioca e entre as drags, carrega uma trajetória de quase meio século dedicada à arte drag e à militância. Com 48 anos de carreira, ele reforça que a luta por visibilidade e respeito continua, mesmo após décadas.

A cada ano, a presença de Martins na Avenida Paulista se torna um símbolo de resistência e memória histórica para as gerações mais jovens.

Para ela, envelhecer sendo LGBT+ é um ato de coragem e resiliência.

Martins reforça que eventos como a Parada não são apenas momentos de festa, mas também espaços de reflexão sobre o passado, o presente e o futuro da comunidade.

O que significa ser uma drag queen?

A arte das drags é uma forma de expressão que mistura performance, teatro, moda e música. Mais do que uma transformação estética, ser drag é assumir uma nova persona, geralmente com traços exagerados e performáticos, para provocar reflexões sobre gênero, identidade e padrões sociais.

A cultura drag tem raízes profundas na história da comunidade LGBT+, nascida como um ato de resistência em bares, boates e movimentos de rua. Nos últimos anos, ela ganhou projeção mundial com programas de televisão e artistas que romperam a barreira do mainstream.

No Brasil, o movimento se fortaleceu com drags como Pabllo Vittar, Gloria Groove e tantas outras que abriram caminho para novas gerações. Cada drag carrega uma história única, mas todas compartilham a luta pelo respeito e pela liberdade de ser quem são, em qualquer idade

  • Publicado: 20/01/2026
  • Alterado: 20/01/2026
  • Autor: 22/06/2025
  • Fonte: MIS Experience