Por trás da bandeira: mulheres distribuem abraços de mães e irmãs na Parada LGBT+ 2025
Ação de acolhimento com abraço destaca o impacto da rejeição familiar na comunidade LGBT+ brasileira
- Publicado: 20/01/2026
- Alterado: 22/06/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Multiplan MorumbiShopping
Na 29ª edição da Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo, realizada em junho de 2025, um grupo de mulheres com cartazes estampados com frases como “Abraço de Mãe”, “Abraço de Irmã” e “Abraço de Tia” tornou-se um dos pontos mais emocionantes da Avenida Paulista.
Em meio a bandeiras coloridas e discursos políticos, o gesto simples de abrir os braços virou um ato de resistência, cura e afeto.
A origem da ideia: inspiração além das fronteiras

A ação foi inspirada em um vídeo viralizado nos Estados Unidos, que mostrava mães oferecendo abraços a pessoas LGBT+ rejeitadas por suas famílias.
Thaís, de 43 anos, presidente do motogrupo feminino Janud e uma das organizadoras, contou como tudo começou:“Eu vi mulheres americanas fazendo os cartazes na Parada LGBT de lá. Falei: por que não fazer aqui em São Paulo? E se nós juntamos, né? Hoje estamos com o coração quentinho”, afirmou Thaís, emocionada
Histórias de superação e acolhimento dentro do próprio grupo
As mulheres que ofereceram os abraços carregam histórias de resistência que dialogam diretamente com o tema da Parada este ano: “Envelhecer LGBT+: pessoas LGBT+”. Muitas delas enfrentaram preconceitos ao longo da vida e sabem bem o que significa não se sentir aceita.
Thaís relembrou a dificuldade de aceitação dentro da própria casa: “Eu sou de uma família muito rígida, evangélica. Foi muito difícil meus pais me aceitarem como uma mulher lésbica. Isso dói, isso machuca, isso é muito triste”, desabafou.
Andrea, de 56 anos, integrante do grupo, também compartilhou sua trajetória de aprendizado e aceitação da sua filha LGBT:
“A gente é criada numa geração em que tudo era fechado. Você fica com medo, vai abrindo o coração devagar… E aí percebe: gente, por quê? É maravilhoso, é amor”.
O impacto do gesto: acolhendo quem mais precisa

Um dos momentos que marcou Thaís foi quando um jovem a procurou e disse: “Poxa, minha mãe na minha cara. Pelo simples fato de eu ser gay”.
Ela não escondeu a emoção ao relembrar: “Eu poder dar um abraço e confortar essas pessoas, pra mim é maravilhoso”
Andrea reforçou que o movimento é sobre afeto e escuta: “Nós estamos aqui pra dar um abraço, pra dar muito amor. Os filhos são o nosso maior tesouro. Então vamos abraçar. Esse é o recado de hoje”
Rejeição familiar ainda marca a vida de LGBT+ no Brasil
A presença dessas mulheres na Parada de 2025 é ainda mais simbólica quando se olha para os dados sobre rejeição familiar no Brasil.
Segundo uma pesquisa realizada pela Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social (SMADS), de 2020, a Prefeitura de São Paulo, entre 5,3% e 8,9% do total da população em situação de rua na capital pertencem à comunidade LGBT.
O abandono, muitas vezes, leva jovens a situações de vulnerabilidade social, como evasão escolar, desemprego, problemas de saúde mental e até a vivência em situação de rua.
A iniciativa funciona como um antídoto simbólico contra essa realidade. Como reforçou Elisangela, de 52 anos, mãe de uma jovem lésbica: “O melhor é o filho, entendeu? É a felicidade deles. Não tem a ver com preconceito, a vida é livre assim. A pessoa ama livremente”
Um convite à reflexão e ao amor
Thaís deixou um recado importante para aqueles que ainda lutam por aceitação: “Tenha fé, abrace os seus pais, tente explicar pra eles. Se vocês não conseguirem, infelizmente, sigam a vida e sejam felizes. Não deixem de ser felizes”.
O grupo promete voltar nas próximas edições da Parada, com ainda mais braços abertos e corações dispostos a acolher. Porque, por trás da bandeira, o que realmente importa é o amor.