Donald Trump dá ultimato à Maduro e tensões aumentam
Trump oferece saída a Maduro, enquanto a presença militar americana no Caribe aumenta e acusações de execuções emergem
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 02/12/2025
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
A crise diplomática e militar entre os Estados Unidos e a Venezuela atingiu um novo e perigoso patamar. De um lado, o presidente americano, Donald Trump, intensifica a presença de poder de guerra no Caribe; de outro, o líder venezuelano, Nicolás Maduro, adota uma postura de resistência inabalável. O ponto de inflexão mais recente é o que a mídia internacional classifica como um ultimato de Washington que, ao ser rejeitado, transformou as palavras em manobras de navios e aviões, elevando os riscos de um conflito sem precedentes na região.
A tensão se acentuou após um contato telefônico de alto risco entre Donald Trump e Nicolás Maduro, um diálogo que, segundo o próprio presidente dos EUA, não foi “positivo nem negativo”, mas que selou o destino das negociações de bastidores.
A conversa secreta de Donald Trump e Maduro
De acordo com o jornal Miami Herald, a ligação entre Trump e Maduro não foi um mero contato diplomático; foi, na verdade, uma oferta de “saída negociada” do poder, com um prazo rígido para o líder venezuelano. A proposta de Trump era clara: a renúncia imediata de Maduro em troca de garantias de segurança para ele, sua esposa Cilia Flores e seu filho.
Contudo, as negociações mediadas por países como Brasil, Catar e Turquia naufragaram diante de exigências conflitantes. Fontes diplomáticas detalharam três pontos cruciais que causaram o impasse:
- Anistia Total: Maduro solicitou anistia não apenas para si, mas por “crimes” atribuídos a todo o seu círculo político.
- Controle Militar: O regime chavista exigiu a manutenção do controle das Forças Armadas em troca da convocação de novas eleições.
- Prazo Imediato: Os Estados Unidos rejeitaram veementemente as condições venezuelanas e insistiram na saída imediata do poder.
O fracasso em chegar a um acordo foi rapidamente seguido por uma tentativa frustrada de Maduro de retomar o contato com Trump, sinalizando que as cartas estavam na mesa e que o próximo movimento seria militar.
O poder de guerra americano e a escalada no Caribe
Em resposta direta ao impasse nas negociações e sob a justificativa oficial de combater o narcotráfico, a Casa Branca impôs uma crescente pressão militar na região. Desde setembro passado, a presença dos EUA no Caribe se intensificou, incluindo mais de uma dúzia de navios de guerra e cerca de quinze mil soldados.
O símbolo mais claro desta demonstração de força é o USS Gerald R. Ford. O maior porta-aviões do mundo está na região desde o início de novembro, atuando como um poderoso centro de comando e projeção de poder aéreo em águas próximas à Venezuela. A manobra é vista por analistas como um aviso inequívoco de que Washington está pronto para qualquer cenário.
Apesar de o Pentágono negar, as operações antidrogas resultaram em mais de vinte ataques contra embarcações suspeitas, causando um total de oitenta e três mortes. O presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Jorge Rodríguez, elevou o tom, acusando os EUA de assassinatos e confirmando que cidadãos venezuelanos estavam entre as vítimas. Ele anunciou a formação de uma comissão parlamentar para investigar as mortes, aumentando o clamor por justiça e as denúncias de execuções extrajudiciais — algo categoricamente refutado pelo governo Trump.
Ameaça aérea e a guerra de palavras
A tensão transbordou do mar para o ar. Em uma declaração feita por meio da plataforma Truth Social, Trump elevou a aposta ao afirmar que o espaço aéreo “sobre e ao redor da Venezuela deveria ser considerado fechado”. Esta advertência, dirigida a companhias aéreas, pilotos e, explicitamente, a traficantes, marca uma nova e perigosa fase na crise.
A Administração Federal de Aviação (FAA) dos EUA já havia emitido alertas sobre os riscos de voo na área devido ao aumento das operações militares. Em retaliação, o governo venezuelano revogou os direitos operacionais de seis companhias aéreas internacionais que haviam suspendido seus voos para o país.
A retórica de Caracas, por sua vez, tem sido feroz. Maduro criticou abertamente as ações de Trump, afirmando que o líder americano busca derrubá-lo. Em uma carta endereçada à Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), Maduro acusou Washington de ameaças contínuas e de tentar se apoderar, pela força, das vastas reservas petrolíferas do país. O ministro das Relações Exteriores venezuelano garantiu que a nação se manterá firme na defesa de seus recursos naturais.
Em meio a rumores de uma possível fuga, após alguns dias de ausência pública, Maduro reapareceu em Caracas, descrevendo a Venezuela como “indestrutível” e fazendo declarações otimistas sobre a economia local, apesar de não comentar diretamente sobre o confronto com Trump. A tensão, no entanto, não dá sinais de diminuição, com Trump indicando que operações terrestres contra traficantes venezuelanos devem iniciar “em breve”.