Dólar recua e Bolsa sobe com início das tarifas de Trump
Queda do dólar e alta na Bolsa: Impactos das novas tarifas dos EUA sobre produtos brasileiros e a tensão política no Brasil.
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 06/08/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Sorria!,
Na manhã desta quarta-feira (6), o valor do dólar apresentou uma queda significativa, com os investidores respondendo à recente implementação de uma tarifa de 50% dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. A situação foi ainda mais influenciada por declarações do presidente do Banco Central, que estavam no foco das atenções.
Por volta das 10h40, a moeda americana registrava uma diminuição de 0,53%, cotada a R$ 5,476. Em contrapartida, o mercado acionário brasileiro mostrava-se otimista, com a Bolsa de Valores subindo 1,25%, atingindo 134.827 pontos. As ações de empresas como Petrobras, Embraer e Itaú apresentaram altas de 1,52%, 3,16% e 3,05%, respectivamente.
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A nova tarifa imposta pelo governo Trump começou a valer às 1h01 (horário de Brasília) desta quarta-feira e afeta cerca de 36% das exportações brasileiras para os Estados Unidos. Essa medida abrange produtos essenciais como máquinas agrícolas, carnes e café.
Vale destacar que o Brasil já enfrentava uma sobretaxa anterior de 10% desde abril, a qual foi ampliada em mais 40% no mês passado devido a questões políticas específicas. Como resultado, produtos brasileiros fora da lista de exceções estão sujeitos a essa nova tarifa de 50%, além das taxas normais que já eram aplicadas.
O decreto que institui essas tarifas menciona explicitamente o ministro Alexandre de Moraes do STF e o ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente réu em um inquérito que investiga uma tentativa de golpe em 2022. A administração Biden justificou as novas tarifas como uma resposta a “ameaças incomuns e extraordinárias à segurança nacional, política externa e economia dos Estados Unidos“.
No entanto, cerca de 43% do valor das exportações brasileiras está isento dessa nova alíquota devido a aproximadamente 700 exceções contidas no decreto. Produtos como derivados de petróleo, ferro-gusa e itens da aviação civil foram aliviados dessa pressão tarifária.
Leonel Mattos, analista da StoneX, comentou que o clima nos negócios é marcado por cautela ao invés de pessimismo. Ele afirmou que as previsões mais sombrias relacionadas ao aumento das tarifas foram mitigadas pela não abrangência total dos produtos brasileiros na nova taxa, diminuindo assim o impacto geral na economia.
O agronegócio brasileiro se mostra particularmente preocupado com essa situação. O setor já vinha sendo impactado pelas tarifas anteriores e teme novas retaliações que poderiam afetar seus insumos críticos, especialmente fertilizantes. Informações indicam que representantes do setor agrícola alertaram o Itamaraty sobre potenciais sanções que podem ser impostas ao Brasil devido às negociações com a Rússia, maior fornecedora de fertilizantes para o país.
Além disso, o Brasil também se encontra sob risco de sanções relacionadas à compra de diesel da Rússia, responsável por mais de 60% das importações deste combustível neste ano.
No contexto nacional, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, anunciou que o governo planeja editar uma medida provisória para mitigar os efeitos das novas tarifas americanas e focar no apoio aos pequenos produtores. Haddad revelou que uma reunião com Scott Bessent, secretário do Tesouro dos EUA, está agendada para a próxima quarta-feira (13) para dar continuidade às negociações.
Embora o texto da medida esteja pronto e será enviado ao Palácio da Fazenda ainda hoje, cabe ao Planalto fazer o anúncio oficial.
Na terça-feira (5), a cotação do dólar permaneceu estável em R$ 5,506 enquanto a Bolsa avançou modestamente 0,13%, alcançando 133.151 pontos. Esse movimento ocorreu apesar da prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro e dos receios sobre um aumento nas tarifas entre Brasil e Estados Unidos. Os investidores também reagiram às atas da última reunião do Banco Central e aos indicadores econômicos dos EUA.
A prisão domiciliar de Bolsonaro foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes após o ex-presidente ter descumprido ordens anteriores ao participar de vídeos durante manifestações. Essa decisão gerou reações adversas do governo Trump, que criticou a ação e indicou possíveis responsabilidades para aqueles que ajudarem nas “condutas sancionadas” pelo ministro Moraes.
A medida tomada por Moraes pode intensificar tensões internas no Brasil. Membros do governo Lula expressaram preocupação sobre como essa situação poderia irritar Trump e resultar em sanções adicionais contra o Brasil.
Em termos internacionais, outros países continuam buscando alternativas para negociar com os EUA enquanto Trump planeja implementar mais tarifas sobre seus parceiros comerciais nesta quinta-feira (7). Os investidores também aguardam a indicação para uma vaga na diretoria do Fed após a renúncia da diretora Adriana Kugler na semana passada.
O movimento atual da moeda brasileira reflete tendências observadas no exterior, com o índice DXY – que avalia a força do dólar em relação a outras moedas – apresentando queda de 0,39%, fixando-se em 98.396 pontos nesta manhã.