Dólar recua para R$ 5,12 com e registra menor valor em três semanas
Dólar registra menor valor em três semanas com otimismo no setor de tecnologia e forte alta do Ibovespa
- Publicado: 09/07/2026 21:25
- Alterado: 09/07/2026 21:25
- Autor: Gabriel de Jesus
- Fonte: FolhaPress
O dólar fechou em queda de 0,47% nesta quinta-feira (9), cotado a R$ 5,1221. O movimento ocorreu em uma sessão de menor liquidez nos mercados locais devido ao feriado da Revolução Constitucionalista de 1932 no estado de São Paulo. Com o resultado, o dólar atingiu o seu menor valor de fechamento em três semanas, retrocedendo ao patamar de 17 de junho, quando encerrou a R$ 5,11. No acumulado do ano, a moeda passa a registrar uma baixa de 6,65% em relação ao real.
Em contrapartida à desvalorização do dólar, o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, encerrou o dia em alta firme de 1,22%, alcançando os 172.740 pontos. A valorização interrompeu uma sequência de três sessões consecutivas de perdas no mercado doméstico.
Estímulo do setor de tecnologia reduz aversão ao risco
O recuo do dólar reflete uma melhora no apetite por risco no cenário internacional, impulsionado pelo setor de tecnologia. A fabricante Micron Technology anunciou planos de investir mais de US$ 250 bilhões nos Estados Unidos até 2035 para suprir a demanda por chips de memória voltados à Inteligência Artificial (IA). O anúncio impulsionou as bolsas de Wall Street: o índice S&P 500 subiu 0,81%, o Nasdaq avançou 1,30% e o Dow Jones registrou alta de 0,27%.
Esse otimismo global conseguiu neutralizar temporariamente o receio dos investidores com a escalada de tensões geopolíticas no Oriente Médio, que vinha pressionando a cotação do dólar nos últimos dias.
“Este continua sendo, em grande medida, um mercado de alta impulsionado pela inteligência artificial. Por um tempo, essa valorização começou a se espalhar para outros setores, mas isso depende de os preços do petróleo e as taxas de juros permanecerem estáveis”, avaliou Ross Mayfield, analista de estratégia de investimentos da empresa americana Baird.
Tensões no Oriente Médio e impacto nas commodities
O mercado monitora o terceiro dia consecutivo de confrontos entre Estados Unidos e Irã. A instabilidade aumentou após declarações do presidente norte-americano, Donald Trump, afirmando que o acordo de cessar-fogo chegou ao fim. Como reflexo, as preocupações com a segurança no Estreito de Hormuz cresceram, levando pelo menos quatro navios-tanque a alterarem suas rotas. Além disso, o governo dos EUA revogou a licença-geral que permitia a comercialização do petróleo iraniano.
Em resposta, o barril de petróleo Brent chegou a superar a marca de US$ 79 ao longo da sessão, mas cedeu no final do dia para a faixa de US$ 75 devido ao clima de otimismo nos mercados de ações.
Cenário fiscal doméstico e juros futuros
No ambiente interno, a queda do dólar foi acompanhada pelo recuo dos juros futuros, principalmente nos contratos de vencimento mais curto. A taxa do DI para janeiro de 2028 atingiu a mínima de 14,030%, apresentando uma queda de 14 pontos-base.
Na agenda política e econômica, o ministro da Fazenda em exercício, Dario Durigan, informou que o governo decidiu adiar a definição sobre a eliminação da subvenção à gasolina. A medida, que estava prevista para esta semana, foi postergada para a próxima semana em função dos desdobramentos internacionais. A manutenção temporária do subsídio visa mitigar os impactos inflacionários da volatilidade do petróleo sobre a economia do país.