Dólar fecha em alta com tensões no Oriente Médio e Bolsa recua
O avanço do dólar reflete o temor global com o abastecimento de petróleo e as incertezas no setor de tecnologia.
- Publicado: 07/07/2026 22:21
- Alterado: 07/07/2026 22:22
- Autor: Gabriel de Jesus
- Fonte: FolhaPress
O dólar fechou em alta de 0,39% nesta terça-feira (7), cotado a R$ 5,152. O avanço da moeda foi impulsionado pela escalada das tensões geopolíticas no Oriente Médio e por temores no setor global de tecnologia. No cenário doméstico, possíveis tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros também pressionaram os negócios, enquanto o Ibovespa recuou 0,24%, aos 172.020 pontos, amortecido pela alta das petroleiras.
Conflito no Oriente Médio e o impacto no petróleo
O principal vetor para a valorização do dólar globalmente foi a decisão do governo dos Estados Unidos de revogar a licença-geral que autorizava a venda de petróleo iraniano. A medida ocorreu após três petroleiros relatarem ataques por projéteis no Estreito de Hormuz.
Como reflexo direto, o preço do barril de petróleo Brent subiu mais de 5%, atingindo US$ 75, enquanto o WTI avançou para US$ 71,90. O fortalecimento da commodity ativou a busca por proteção, elevando o índice DXY — que mede a força do dólar contra uma cesta de seis divisas fortes — em 0,2%, para 101,05 pontos.
O presidente norte-americano, Donald Trump, subiu o tom contra Teerã durante declarações no Salão Oval:
“Ou vamos chegar a um acordo ou vamos terminar o serviço. E não será difícil terminar o serviço. Prefiro chegar a um acordo, porque não quero afetar 91 milhões de pessoas. Podemos derrubar as pontes deles em uma hora, podemos cortar o abastecimento de energia deles.”
Em resposta, o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Mohammad Baqer Zolqadr, classificou a fala de Trump como “delirante” e cobrou respeito nas negociações diplomáticas.
Dúvidas sobre tecnologia e inteligência artificial
Além do petróleo, o mercado financeiro global demonstrou menor apetite ao risco devido a incertezas no setor de tecnologia. Apesar de a sul-coreana Samsung registrar salto de 1.800% em seu lucro trimestral, investidores temem a formação de uma bolha financeira ligada à inteligência artificial.
Surgiram também relatos de que a startup chinesa DeepSeek planeja desenvolver chips próprios de IA para reduzir a dependência da Nvidia e da Huawei. Leonel Mattos, analista de inteligência de mercado da StoneX, detalha o comportamento dos investidores:
“De tempos em tempos, vemos os mercados financeiros globais e os investidores se mostrarem mais preocupados com a possibilidade de dificuldades futuras de rentabilidade. Esse pessimismo acaba pressionando as ações de tecnologia e piorando o apetite global por risco.”
Relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos
No plano nacional, o mercado seguiu atento às articulações em Washington envolvendo possíveis tarifas norte-americanas sobre produtos brasileiros. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) participou de audiências na capital dos EUA para tentar adiar a imposição de uma alíquota de 25% proposta pela gestão Trump, sob a alegação de supostas práticas comerciais desleais por parte do Brasil.
A interferência do parlamentar gerou atritos políticos internos. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva acusou o senador de colaborar para o desencadeamento das sanções econômicas, acusação que é veementemente negada por Flávio Bolsonaro.
O clima de incerteza política e econômica resultante dessas negociações bilaterais contribuiu para manter o dólar sob pressão e sustentar sua trajetória de alta no fechamento do dia.