Dólar fecha em R$ 5,25 em meio à tensões no exterior e Bolsa sobe
Mesmo com tensões globais entre EUA e Irã, o dólar fechou em queda no Brasil impulsionado pelo IBC-Br acima do esperado e alta da B3.
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 19/02/2026
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
O dólar encerrou o pregão desta quinta-feira (19/2) em queda de 0,28%, cotado a R$ 5,227, operando em sentido contrário ao mercado internacional. Enquanto a moeda norte-americana ganhava força frente a divisas globais (índice DXY subiu 0,15%), o cenário doméstico brasileiro mostrou resiliência. O movimento foi sustentado por dados de atividade econômica mais robustos que o previsto e pela forte valorização da Bolsa de Valores, que subiu 1,35%, ancorada no setor de commodities e na entrada de fluxo estrangeiro.
A atividade econômica do País, medida pelo IBC-Br, encerrou 2025 com uma expansão de 2,5%. O resultado de dezembro, embora tenha registrado queda de 0,2%, veio significativamente melhor do que a retração de 0,5% esperada pelos analistas. Esse vigor da economia interna ajuda a ancorar o valor do dólar no Brasil, à medida que melhora a percepção de risco e atrai investidores para ativos nacionais, equilibrando as pressões inflacionárias globais.
Juros elevados e atratividade do dólar no carry trade
O diferencial de juros entre o Brasil e as economias desenvolvidas é um dos principais fatores que seguram o dólar neste patamar. Com a taxa Selic mantida em 15%, o mercado financeiro continua a enxergar o País como um porto seguro para o carry trade. Nesta estratégia, investidores captam recursos em moeda estrangeira a juros baixos para aplicar na renda fixa brasileira, gerando uma oferta constante da moeda norte-americana no mercado local e favorecendo a valorização do Real.
Especialistas indicam que o dado positivo do IBC-Br pode influenciar os próximos passos do Comitê de Política Monetária (Copom). “O IBC-Br mostrou que a atividade segue em expansão, influenciando as expectativas para o PIB”, explica Cristiane Quartaroli, economista-chefe do Ouribank. Esse cenário de juros altos por mais tempo mantém a pressão de baixa sobre o dólar, compensando a aversão ao risco vista no exterior devido ao agravamento dos conflitos geopolíticos.
Tensões no Oriente Médio e o prêmio de risco do petróleo
No cenário externo, o dólar serve como ativo de proteção diante do aumento das tensões militares entre Estados Unidos e Irã. A mobilização de aeronaves e porta-aviões americanos no Oriente Médio elevou os preços do petróleo Brent para US$ 72,01, o maior nível desde meados de 2025. Esse aumento nos preços da commodity beneficia diretamente a Petrobras e, consequentemente, a Bolsa brasileira, o que acaba gerando um fluxo de capital que ajuda a derrubar a cotação da moeda americana por aqui.
O risco de interrupção no escoamento de petróleo pelo Estreito de Hormuz — por onde passa 20% da oferta mundial — adicionou um prêmio geopolítico aos preços. Segundo Gabriel Cecco, da Valor Investimentos, qualquer ameaça à navegação na região impacta as expectativas globais. No entanto, para o Brasil, o reflexo imediato desse estresse foi a valorização da Petrobras, que serviu como um “colchão” para que o dólar não acompanhasse a alta global das divisas fortes.
Expectativas para o câmbio e a taxa Selic em 2026
O comportamento do dólar nos próximos meses dependerá da trajetória fiscal e monetária do Brasil. O Boletim Focus já projeta que a Selic encerre o próximo ano em 12,25%, o que ainda mantém um diferencial considerável em relação aos juros americanos. Enquanto o diferencial for favorável, a tendência é que o fluxo de capital estrangeiro continue a sustentar o Real, impedindo disparadas acentuadas da moeda norte-americana.
A manutenção deste equilíbrio, contudo, é sensível às notícias que vêm de Washington e Teerã. Se o conflito escalar para uma guerra aberta, a busca global por segurança pode elevar o dólar em todo o mundo, testando a resistência dos ativos brasileiros. Por ora, os fundamentos econômicos internos e a valorização das exportações de energia garantem que a moeda se mantenha em patamares estáveis, oferecendo um alívio pontual para a inflação de bens importados e insumos produtivos.