Dólar cai abaixo de R$5,70 com notícias positivas da China e alta do petróleo

Dólar cai mais de 1% e atinge menor valor em meses; otimismo na China e negociações de paz impulsionam real e mercados emergentes.

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O dólar americano finalizou a sessão desta segunda-feira com uma desvalorização superior a 1% em relação ao real, alcançando a cotação de R$5,6861. Este representa o menor valor desde o início de novembro do ano anterior, refletindo fatores positivos como as notícias sobre a economia chinesa, as negociações de paz no conflito da Ucrânia e o aumento nos preços do petróleo.

Com uma queda de 1,03%, a moeda norte-americana acumula até o momento uma desvalorização de 7,98% em 2023. Por volta das 17h36, na B3, o contrato futuro do dólar para abril, que é o mais negociado atualmente no Brasil, registrava uma queda de 1,11%, cotado a R$5,7015.

O desempenho do dólar foi impactado positivamente por um clima favorável às moedas de mercados emergentes. Na segunda-feira, a moeda norte-americana recuou frente a diversas divisas de países emergentes e exportadores de commodities, incluindo o real brasileiro, peso chileno e rupia indiana.

O otimismo com o cenário econômico da China foi um dos principais fatores que impulsionaram essa busca por ativos mais arriscados. No final de semana anterior, o governo chinês anunciou um “plano de ação especial” para fomentar o consumo interno, que inclui medidas como aumento na renda das famílias e subsídios para cuidados infantis. Além disso, dados divulgados pelo Escritório Nacional de Estatísticas da China mostraram um crescimento nas vendas do varejo de 4% no bimestre janeiro-fevereiro, superando a alta de 3,7% registrada em dezembro.

A expectativa otimista em relação à economia chinesa se soma aos receios relacionados às ações militares dos EUA contra os houthis no Iémen, que afetam uma rota comercial marítima significativa. O fortalecimento dos preços do petróleo nos mercados internacionais também favoreceu moedas de países exportadores como o Brasil.

De acordo com Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, “medidas que buscam estimular o consumo das famílias chinesas devem aumentar a demanda por bens globais, beneficiando especialmente as economias com estreitos laços comerciais com a China”. Ele acrescentou que “o volume total de importações chinesas de commodities continua sem paralelo no mundo e o Brasil está bem posicionado para tirar proveito disso”.

Outro elemento favorável para os ativos de risco foi a notícia de que o presidente dos EUA planeja dialogar com o presidente russo sobre possíveis soluções para o conflito na Ucrânia. Esse contexto gerou uma queda acentuada na cotação do dólar: após abrir em R$5,7434 às 9h00 com uma leve variação negativa (-0,03%), a moeda despencou até atingir seu menor valor do dia em R$5,6665 (-1,37%) às 16h00.

Esse movimento ocorreu em consonância com a valorização do Ibovespa e a diminuição das taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros), à medida que investidores aguardam as decisões de política monetária do Banco Central brasileiro e do Federal Reserve dos EUA previstas para a próxima quarta-feira.

No cenário internacional, o dólar continuava apresentando um viés negativo ao final da tarde. Às 17h30, o índice que mede seu desempenho contra uma cesta de seis divisas caía 0,33%, cotando-se a 103,390.

  • Publicado: 20/01/2026
  • Alterado: 20/01/2026
  • Autor: 17/03/2025
  • Fonte: Farol Santander São Paulo