Dólar a R$ 6: Inflação explode e alimentos puxam alta
Real é a moeda mais desvalorizada entre emergentes em 2024.
- Publicado: 20/01/2026
- Alterado: 01/12/2024
- Autor: Redação
- Fonte: Farol Santander São Paulo
A recente valorização do dólar, alcançando R$ 6, tem gerado preocupações significativas no mercado brasileiro, exacerbando a inflação no atacado e elevando as expectativas de aumento nos preços ao consumidor. Este cenário econômico, em parte, é resultado das medidas fiscais anunciadas recentemente que não conseguiram atender às expectativas do mercado financeiro. A desvalorização do real em relação ao dólar, que atingiu 22% em 2024, é a maior entre as moedas emergentes listadas no índice Morgan Stanley Capital International (MSCI).
No desenvolvimento deste quadro, o Índice de Preços por Atacado (IPA) da Fundação Getulio Vargas (FGV) registrou uma inversão drástica, passando de uma deflação de 6,31% em janeiro para uma alta de 6,32% em outubro. Os aumentos mais notáveis estão nos preços de commodities agrícolas e matérias-primas para o setor agropecuário, ambos fortemente influenciados pela cotação do dólar.
Guilherme Moreira, da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (IPC-Fipe), destaca que o impacto cambial está sendo sentido principalmente nos alimentos industrializados. Este segmento é sensível a custos elevados de produtos químicos e metálicos utilizados nas embalagens. O grupo alimentação representa um quarto do índice da Fipe, o que significa um impacto significativo na inflação geral.
Na conclusão, a incerteza sobre a trajetória futura do dólar adiciona complexidade ao cenário econômico. Economistas como José Márcio Camargo apontam para a necessidade de credibilidade nas políticas do Banco Central e questionam se haverá um choque maior de juros sob nova liderança. A perspectiva fiscal desafiadora, associada à possível continuidade da crise fiscal, pode exigir medidas governamentais mais severas no futuro, com implicações sociais consideráveis.