Doenças inflamatórias intestinais crescem no Brasil

Aumento de 61% nas internações em 2024 destaca a urgência do diagnóstico precoce

Crédito: Marcello Casal Jr - Agência Brasil

As doenças inflamatórias intestinais (DIIs), que incluem a doença de Crohn e a retocolite ulcerativa, têm se tornado uma preocupação crescente no Brasil, com um aumento significativo de internações nos últimos anos. Nos últimos dez anos, o Sistema Único de Saúde (SUS) registrou cerca de 170 mil internações relacionadas a essas condições, com um notável crescimento de 61% em 2024 em comparação a 2015, conforme dados da Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP).

O avanço no número de internações, que saltou de 14.782 em 2015 para 23.825 em 2024, é atribuído não apenas à gravidade dos casos, mas também ao aumento da incidência, refletindo a aparição de novos pacientes sem tratamento. Ana Sarah Portilho, coloproctologista e diretora de comunicação da SBCP, salienta que o crescimento dos casos é mais acentuado em áreas urbanizadas e industrializadas.

Com o objetivo de aumentar a conscientização sobre as DIIs, a SBCP lançou uma campanha durante o mês de maio, conhecido como “Maio Roxo”, que culmina no Dia Mundial das Doenças Inflamatórias Intestinais em 19 de maio. A iniciativa visa enfatizar a importância do diagnóstico precoce e do tratamento adequado para melhorar a qualidade de vida dos pacientes e até mesmo alcançar a remissão dos sintomas.

Sergio Alonso Araújo, presidente da SBCP, destaca que “nosso objetivo é alertar para a importância do diagnóstico precoce e do tratamento adequado”. As DIIs podem afetar pessoas de todas as idades, mas são particularmente comuns entre adultos jovens que estão em fase produtiva da vida. A coloproctologista Mariane Savio reforça que essas doenças, se não tratadas adequadamente, podem prejudicar gravemente a qualidade de vida dos pacientes e impactar suas vidas profissionais e familiares.

Os principais sintomas das DIIs incluem diarreia crônica — que pode apresentar sangue, muco ou pus — dor abdominal intensa, urgência para evacuar, falta de apetite, cansaço excessivo e perda significativa de peso. Em estágios avançados, os pacientes podem desenvolver anemia, febre e distensão abdominal. Além disso, essas doenças podem afetar outras partes do corpo, provocando condições como artrite, dermatite e uveítes.

A origem dessas enfermidades ainda não é completamente compreendida; no entanto, acredita-se que uma combinação de fatores genéticos, ambientais e imunológicos contribua para seu desenvolvimento. Fatores como o tabagismo têm sido identificados como agravantes.

O diagnóstico das doenças inflamatórias intestinais é realizado por meio da avaliação clínica do paciente e exames complementares como endoscopia, colonoscopia, tomografia e ressonância magnética. Mariane Savio observa que “o tratamento precoce da doença reduz significativamente o risco de cirurgias futuras” e melhora a resposta aos tratamentos.

Embora não exista cura definitiva para as DIIs, o tratamento foca no controle dos sintomas e na melhoria da qualidade de vida dos pacientes. Isso inclui recomendações como seguir uma dieta equilibrada, interromper o consumo de tabaco e manter uma rotina de exercícios físicos regulares. Dependendo da gravidade do caso, medicamentos como aminossalicilatos, imunossupressores e imunobiológicos podem ser prescritos.

  • Publicado: 15/01/2026
  • Alterado: 15/01/2026
  • Autor: 20/05/2025
  • Fonte: Fever