Do outro lado do rio une teatro e poesia infantil

A Cia Peixes Voadores apresenta sua nova montagem cênica em SP, Do outro lado do rio. Um encontro lúdico e necessário entre a natureza e a agitação da metrópole

Do outro lado do rio une teatro e poesia infantil

Crédito: Divulgação

A cidade pulsa com buzinas e pressa. Entre o caos urbano e a floresta, o espetáculo Do outro lado do rio propõe uma pausa analítica sobre o tempo. A montagem estreia no dia 10 de outubro na Sala EMS do BTG Pactual Hall, oferecendo uma experiência imersiva para o público de todas as idades.

A diretora Maria Alencar e a dramaturga Luane Sato utilizam a poesia para investigar o comportamento humano. A narrativa confronta a utilidade mercadológica cobrada pela sociedade contemporânea.

O universo onírico de Do outro lado do rio

Do outro lado do rio une teatro e poesia infantil
(Foto: Divulgação)

Personagens invisíveis ganham o centro do palco. Crianças, idosos e animais conduzem o espectador por uma jornada onde a pressa perde o sentido. A trama acompanha uma onça intrigada por uma coceira no peito.

A fera encontra a sábia Velha Ventania e juntas iniciam uma travessia. As duas precisam decifrar o coração inquieto de uma criança isolada na margem oposta. A encenação quebra a linearidade temporal e abraça o delírio.

“A peça acontece no presente, mas em um tempo diferente, mais lento, não ligado ao real, e sim ao onírico.” — Maria Alencar.

A inspiração na obra de Manoel de Barros

A palavra vira brinquedo nas mãos do elenco. A obra Didática da Invenção, do poeta Manoel de Barros, funciona como alicerce literário para transformar a gramática rigorosa em pura experimentação. O pensamento infantil ganha status de filosofia.

Sentidos e regras adultas desaparecem gradativamente. A peça Do outro lado do rio exige que a plateia suspenda a rigidez lógica para acessar uma nova maneira de organizar as emoções e os espaços.

Artesania cênica e música ao vivo

Instrumentos orgânicos marcam o ritmo da travessia. Pandeiro, bumbo, pífano e charango ecoam pelo teatro para construir a atmosfera simbólica idealizada pelo grupo. O cenário artesanal de Lucas Lopes brinca com as percepções de grandeza.

As proporções desafiam a gravidade e o bom senso. A personagem Velha Ventania, concebida pelo bonequeiro Paulo Farah, encolhe ao tamanho de uma brisa e cresce como um tornado. As casas metropolitanas parecem minúsculas diante dos atores.

Serviço e Informações

O teatro brinca com os limites da imaginação. Os espectadores acompanham o trajeto sem exigência de interação direta, criando uma cumplicidade natural.

  • Espetáculo: Do outro lado do rio
  • Companhia: Cia. Peixes Voadores
  • Temporada: 10 de outubro a 1º de novembro
  • Horários: Sábados e domingos, às 15h
  • Local: BTG Pactual Hall (Sala EMS) – Bento Branco de Andrade Filho, 722 – Santo Amaro, São Paulo
  • Ingressos: R$25 a R$120 (vendas via Sympla)
  • Duração: 60 minutos
  • Classificação: Livre

A Cia Peixes Voadores consolida sua pesquisa sobre a potência transmutadora do brincar. O público encontra um espelho vivo para os próprios sentimentos esquecidos nas águas de Do outro lado do rio.

Leonardo Nogueira

  • Publicado: 30/09/2026 12:44
  • Alterado: 30/09/2026 12:53
  • Autor: Leonardo Nogueira