DJ Sem Barreira transforma arte das picapes em inclusão
No Dia do DJ, trajetória de Lisa Bueno destaca projeto social que ensina discotecagem a pessoas com deficiência e idosos
- Publicado: 05/03/2026
- Alterado: 05/03/2026
- Autor: Edvaldo Barone
- Fonte: Assessoria
O Dia do DJ, celebrado em 9 de março, ganha um significado especial na trajetória da brasileira Lisa Bueno. Com mais de duas décadas dedicadas à música, a artista tornou-se uma das referências técnicas da discotecagem no país, acumulando prêmios e reconhecimento profissional. Bicampeã da etapa Sudeste do DMC, considerado o “Oscar dos DJs”, ela construiu uma carreira marcada por domínio técnico e sensibilidade musical.
Mas é fora das pistas de dança que está o projeto que mais define sua atuação cultural. Criadora do DJ Sem Barreira, Lisa ampliou o alcance da discotecagem ao transformar o ensino da arte de mixar em uma ferramenta de inclusão social. A iniciativa oferece formação para pessoas com deficiência visual, física e também para idosos, demonstrando que a música pode romper limites físicos e sociais.
Segundo a artista, o projeto nasceu da convicção de que a sensibilidade musical não depende exclusivamente da visão ou de habilidades tradicionais associadas ao trabalho do DJ. “A música é uma ferramenta de transformação. Ver um aluno com deficiência visual dominando um scratch é a prova de que não existem limites quando há técnica e paixão”, afirma.
Técnica, sensibilidade e domínio do estilo Open Format

Reconhecida pela versatilidade, Lisa Bueno é especialista em Flashback e no estilo Open Format, modalidade que permite transitar entre diferentes gêneros musicais durante uma mesma apresentação. Esse domínio técnico faz com que a DJ consiga adaptar o repertório conforme a reação do público, transformando cada apresentação em uma experiência dinâmica.
A chamada leitura de pista, habilidade considerada essencial para DJs experientes, é um dos pontos fortes de sua atuação. Em eventos corporativos, festas e festivais, Lisa constrói narrativas sonoras capazes de alternar momentos de atmosfera lounge com sequências mais intensas de pista cheia, sempre mantendo a fluidez da experiência musical.
Inclusão e representatividade no universo da música

No cenário atual, a atuação de Lisa Bueno também representa um avanço importante em termos de representatividade. O universo da discotecagem foi historicamente dominado por homens, especialmente nas competições e nos grandes palcos. Ao conquistar espaço e reconhecimento técnico, a DJ abriu caminho para novas gerações de mulheres que buscam carreira no setor.
O impacto, no entanto, vai além da questão de gênero. Com o DJ Sem Barreira, Lisa também amplia o conceito de quem pode ocupar o lugar de artista nas pistas e nos estúdios. Ao ensinar pessoas com deficiência visual a dominar equipamentos e técnicas complexas, o projeto demonstra que a discotecagem é, antes de tudo, uma arte baseada em ritmo, escuta e sensibilidade.
Para muitos alunos, o curso representa a primeira oportunidade de contato profissional com a música. Alguns descobrem um novo caminho de carreira; outros encontram na prática artística uma forma de autonomia e expressão.
No Dia do DJ, a história de Lisa Bueno reforça que o profissional das picapes não atua apenas como animador de pistas. Ele também pode desempenhar um papel cultural e social, conectando pessoas, democratizando conhecimentos e transformando experiências individuais em movimentos coletivos de inclusão.