Dimas Ramalho defende pacto federativo para atenção ao TEA

O Vice-Presidente do TCESP, Dimas Ramalho, propõe divisão de tarefas entre União e municípios para efetivar leis de proteção à pessoa com TEA

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O Vice-Presidente do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCESP), Dimas Ramalho, participou nesta terça-feira (03/03) de audiência pública na Câmara dos Deputados para debater o suporte federativo nas políticas para pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Durante o encontro, o Conselheiro enfatizou a urgência de transformar dispositivos legais em ações práticas e sustentáveis.

O debate, que analisou o Projeto de Lei 3080/20, reuniu lideranças da Frente Nacional de Prefeitos (FNP) e do Ministério da Saúde. Para Dimas Ramalho, o cenário atual exige que o Estado brasileiro encare o autismo não como uma condição rara, mas como uma questão de saúde pública de massa, que atinge cerca de 6 milhões de brasileiros.

O abismo entre a legislação e a realidade prática

Apesar do avanço com normas como a Lei Berenice Piana e a Lei Romeo Mion, o Conselheiro Dimas Ramalho apontou que persiste uma distância crítica entre o que está no papel e o atendimento na ponta. Ele classificou a busca por diagnóstico e tratamento no sistema público como uma “odisseia” para as famílias.

“A Lei Berenice Piana, por exemplo, garante o acompanhante especializado, mas não define a fonte de custeio. O diagnóstico e o tratamento ainda são descritos por pais e cuidadores como uma jornada de superação de barreiras”, afirmou o Conselheiro.

O caso de Vargem Grande Paulista como alerta

Para ilustrar a fragilidade das políticas atuais, Dimas Ramalho relembrou um processo relatado por ele no TCESP em 2023. Na ocasião, a Prefeitura de Vargem Grande Paulista, após garantir transporte escolar por ordem judicial, cortou itens básicos como alimentação, uniforme e terapia fonoaudiológica dos alunos com TEA, alegando que a decisão judicial restringia-se ao transporte. O caso foi encaminhado ao Ministério Público para providências.

Proposta de integração e compartilhamento de dados

Como solução para a eficiência administrativa, Dimas Ramalho sugeriu que o novo marco legislativo obrigue o compartilhamento automático de informações entre as pastas. A proposta é que, ao ocorrer um diagnóstico na Saúde, a Educação seja notificada de imediato para preparar a vaga inclusiva.

Estrutura do Pacto Federativo pelo Autismo

De acordo com a visão apresentada pelo vice-presidente do TCESP, a responsabilidade deve ser distribuída da seguinte forma:

  • União: Responsável pelo financiamento da estratégia nacional.
  • Estados: Garantia da rede especializada e suporte regional.
  • Municípios: Execução do cuidado diário e acolhimento direto.

“Um Pacto Federativo pelo Autismo deve dividir tarefas e atribuições de forma clara”, concluiu Dimas Ramalho, reforçando que a eficiência do gasto público é fundamental para garantir a dignidade humana.

  • Publicado: 05/03/2026
  • Alterado: 05/03/2026
  • Autor: 05/03/2026
  • Fonte: Dimas Ramalho