Didier Deschamps e a era que transformou a França em potência
Em 14 anos no comando, o treinador reconstruiu os Bleus, atravessou gerações e levou a França a três semifinais consecutivas de Copa do Mundo
- Publicado: 10/07/2026 12:55
- Alterado: 10/07/2026 12:55
- Autor: Vitor Bianco
- Fonte: ABCdoABC
A classificação da França para a semifinal da Copa do Mundo de 2026 representa mais do que apenas mais uma campanha bem-sucedida dos Bleus, é a consolidação de uma das eras mais vitoriosas da história do futebol de seleções.
Ao alcançar as semifinais pela terceira Copa do Mundo consecutiva, a França confirma uma regularidade rara em um esporte marcado pela imprevisibilidade. E por trás dessa sequência existe um personagem que acompanha a seleção há quase uma década e meia: Didier Deschamps.
O início de tudo
Deschamps assumiu o comando francês em julho de 2012. A França ainda tentava reconstruir sua imagem após anos turbulentos, marcados pelo fracasso na Copa do Mundo de 2010 e por uma sequência de resultados decepcionantes que culminou na eliminação para a Espanha nas quartas de final da EURO 2012.
Mais do que montar uma equipe competitiva, Deschamps precisava devolver estabilidade à seleção. A escolha parecia natural: capitão da conquista da Copa do Mundo de 1998 e da EURO 2000, ele carregava a imagem de liderança e disciplina que a FFF buscava para iniciar um novo ciclo.
A primeira Copa do Mundo
Na Copa do Mundo de 2014, a França voltou a transmitir confiança, caindo apenas diante da Alemanha, futura campeã mundial, nas quartas de final. O resultado não foi extraordinário, mas indicava que a seleção estava novamente no caminho certo.
Ao mesmo tempo, uma nova geração começava a ganhar espaço. Paul Pogba, Antoine Griezmann e Raphaël Varane começaram a assumir protagonismo. Pouco a pouco, Deschamps montava uma equipe capaz de competir contra qualquer adversário. O grande teste, na verdade, viria dois anos depois.
O vice em casa que foi positivo
Sediando a EURO 2016, a França carregava a expectativa de conquistar um título diante de sua torcida. A campanha foi positiva, mas terminou de maneira dolorosa. Na final, os franceses foram derrotados por Portugal na prorrogação, em uma das maiores frustrações recentes da história da seleção.
Naquele momento, o trabalho de Deschamps balançou, e as críticas aumentaram. A sensação era de que a França havia desperdiçado uma oportunidade única de voltar ao topo. Porém, a Federação Francesa bateu o pé e manteve seu treinador.
A mudança total na Rússia
A França conquistou a Copa do Mundo de 2018 derrotando a Croácia na final, em uma campanha que beirou a perfeição.
Durante boa parte da competição, Deschamps ouviu críticas por adotar uma abordagem pragmática e cautelosa. Mas os resultados falavam mais alto. A equipe sabia defender, controlar os momentos decisivos e aproveitar o talento de jogadores como Mbappé, Griezmann, Pogba e Kanté.
O título colocou Deschamps em um grupo extremamente seleto, tornando-o um dos poucos homens a conquistar a Copa do Mundo como jogador e treinador. Ainda assim, as críticas jamais desapareceram completamente.
O quase bi no Catar
A história, apesar de tudo, continuou favorecendo Deschamps. Na Copa do Mundo de 2022, disputada no Catar, a França chegou cercada por dúvidas. Lesões importantes atingiram o elenco antes da competição. Karim Benzema, vencedor da Bola de Ouro, foi cortado. Outros jogadores fundamentais também se ausentaram.
Mesmo assim, os franceses chegaram novamente à final. Liderada por um Mbappé em estado de graça, a equipe levou a Argentina ao limite em uma das decisões mais emocionantes da história das Copas do Mundo, mas acabou derrotada.
O ciclo atual

Agora, em 2026, essa história ganha mais um capítulo. A classificação para a semifinal confirma a longevidade de um trabalho que atravessou diferentes gerações.
O treinador que começou sua trajetória contando com nomes como Hugo Lloris, Paul Pogba, Olivier Giroud e Antoine Griezmann chega ao fim de seu ciclo liderando uma equipe renovada, com Mike Maignan, William Saliba, Michael Olise, Désiré Doué e Kylian Mbappé.
Independentemente do que acontecer no restante da Copa do Mundo de 2026, a trajetória de Didier Deschamps, mesmo deixando a seleção francesa após o Mundial, já está garantida entre as maiores da história do futebol de seleções.
Quando assumiu o cargo, os Bleus tentavam recuperar sua identidade. Quatorze anos depois, disputar semifinais, finais e títulos tornou-se algo quase natural para a seleção francesa.