A Espanha de 2026 está repetindo a receita da campeã mundial de 2010?
Sem repetir exatamente o tiki-taka de Vicente del Bosque, a seleção de Luis de la Fuente apresenta características que lembram a campanha do título mundial espanhol
- Publicado: 10/07/2026 12:00
- Alterado: 10/07/2026 12:00
- Autor: Vitor Bianco
- Fonte: ABCdoABC
Quando a Espanha desembarcou na África do Sul para disputar a Copa do Mundo de 2010, era vista como uma das favoritas ao título. A base vinha da conquista da EURO de 2008, o elenco reunia alguns dos melhores jogadores do planeta e o estilo de jogo encantava o futebol europeu. Ainda assim, poucos imaginavam que aquela seleção entraria para a história mais pela eficiência do que pelo brilho.
Dezesseis anos depois, a Espanha volta a despertar uma sensação parecida. Assim como a geração de Xavi e Iniesta, a equipe atual desembarcou no torneio após conquistar a EURO 2024. Em ambos os casos, a Espanha entrou na competição cercada por expectativas, e as semelhanças com a campeã mundial só confirmam o favoritismo.
A força que começa atrás
Quando se fala na Espanha de 2010, a lembrança costuma estar associada ao tiki-taka e ao domínio da posse de bola. No entanto, o verdadeiro segredo daquela conquista estava na consistência defensiva. A equipe sofreu apenas dois gols durante toda a competição e venceu todos os confrontos do mata-mata pelo placar de 1 a 0.
A seleção de 2026 também construiu sua campanha a partir da segurança sem a bola. A Espanha atual não sofreu nenhum gol até o momento das quartas de final. Mais do que acumular posse, a equipe tem demonstrado uma capacidade impressionante de limitar as chances dos adversários. Assim como aconteceu há dezesseis anos, a defesa voltou a ser a principal garantia de competitividade dos espanhóis.
O meio-campo continua sendo o coração da equipe

Se os nomes mudaram, a essência permanece a mesma. Em 2010, a Espanha contava com uma geração histórica formada por Xavi, Iniesta, Busquets e Xabi Alonso. Era um grupo capaz de controlar o ritmo das partidas e transformar a posse de bola em uma ferramenta de domínio.
A versão de 2026 segue uma lógica semelhante. Rodri, Pedri, Fabián Ruiz e os demais meio-campistas assumem a responsabilidade de conduzir o jogo, determinar a velocidade das jogadas e manter a equipe instalada no campo adversário durante longos períodos.
Um futebol que divide opiniões
Curiosamente, uma das maiores semelhanças entre as duas campanhas está na forma como elas são percebidas pelo público.
Com o passar dos anos, a Espanha de 2010 passou a ser lembrada como uma das grandes seleções da história recente. Durante o torneio, porém, a realidade era diferente: a campeã mundial marcou apenas oito gols em sete partidas e nunca venceu por mais de um gol de diferença.
A seleção de 2026 enfrenta questionamentos parecidos. Embora domine a posse de bola e controle boa parte das partidas, nem sempre produz atuações empolgantes. Mas a história mostra que, em Copas do Mundo, a eficiência costuma valer mais do que espetáculo.
A diferença que torna esta Espanha única
Apesar dos paralelos, seria injusto tratar a equipe atual como uma simples cópia da campeã mundial. A principal diferença está na capacidade de acelerar pelos lados do campo. Jogadores como Lamine Yamal oferecem uma dose de imprevisibilidade que não existia na mesma proporção em 2010. A Espanha continua valorizando a posse, mas hoje consegue alternar momentos de paciência com ataques mais verticais e rápidos.
O resultado é uma equipe que preserva alguns princípios históricos do futebol espanhol, mas está adaptada às exigências do futebol moderno.
Um roteiro conhecido
Ainda faltam etapas importantes antes que a Espanha possa sonhar com uma nova estrela na camisa. O caminho até a final reserva adversários cada vez mais difíceis e desafios que nenhuma comparação histórica é capaz de resolver.
Em 2010, a Espanha provou que uma Copa do Mundo não precisa ser conquistada com espetáculos para entrar para a história. Dezesseis anos depois, a seleção volta a trilhar um caminho semelhante. Se o desfecho será o mesmo, apenas os próximos jogos dirão. Mas as semelhanças já são grandes o suficiente para despertar lembranças inevitáveis.