São Paulo celebra o Dia do Quadrinho Nacional

Capital comemora o Dia do Quadrinho Nacional nesta sexta-feira (30) indicando histórias em quadrinhos brasileiras que se passam em São Paulo

Crédito: Prefeitura de São Paulo

A Prefeitura de São Paulo comemora o Dia do Quadrinho Nacional nesta sexta-feira (30) ao apresentar uma seleção de histórias em quadrinhos que retratam a capital paulista, além de obras brasileiras reconhecidas mundialmente. Os títulos destacados podem ser lidos ou emprestados nas gibitecas Henfil, localizadas no Centro Cultural São Paulo, e Monteiro Lobato, situada na biblioteca homônima, ambas no coração da cidade.

Dia do Quadrinho Nacional com exposição de HQs e obras reconhecidas

O Brasil tem se destacado na cena global dos quadrinhos, uma forma de arte que se firmou no país ao longo de mais de 150 anos. A popularidade desse formato cresceu consideravelmente entre as décadas de 1940 e 1960, impulsionada por autores icônicos como Maurício de Sousa, Ziraldo e Laerte. Desde então, a produção nacional continuou a se diversificar, conquistando reconhecimento internacional.

Dentre os trabalhos de maior relevância, destaca-se Daytripper (2010), criado por Fábio Moon e Gabriel Bá, que foi laureado com o Prêmio Eisner de Melhor Minissérie. A obra narra a vida de Brás de Oliva Domingos, um filho de um famoso escritor brasileiro, abordando temas profundos como amor e identidade. Outra colaboração da dupla é Dois Irmãos (2015), uma adaptação do romance de Milton Hatoum que explora a complexa relação entre os gêmeos Yakub e Omar em Manaus.

Outro título a receber reconhecimento internacional é Vampiro Americano (2010-), de Rafael Albuquerque, premiado como Melhor Nova Série no Eisner. A narrativa segue Pearl Jones, uma aspirante a atriz da década de 1920 que se transforma em vampira após um ataque brutal. Em Nem Todo Robô (2022), Mike Deodato Jr., ganhador do Eisner de Melhor Quadrinho de Humor, apresenta um futuro distópico onde robôs substituem humanos no mercado de trabalho, levantando questões sobre convivência e identidade.

A produção brasileira também é marcada por narrativas que abordam questões sociais e históricas. Em Cumbe (2014), Marcelo D’Salete, premiado com o Eisner de Melhor Edição Americana de Material Estrangeiro, representa a luta das pessoas escravizadas durante o período colonial brasileiro. O autor aprofunda essa temática em Angola Janga (2017), obra vencedora do Jabuti e do Rudolph Dirks Award, que reconstitui a história do Quilombo de Palmares com base em extensa pesquisa histórica. Recentemente, D’Salete lançou Mukanda Tiodora (2022), que venceu o Jabuti de Melhor HQ em 2023 e narra a trajetória real de uma mulher negra trazida do Congo ao Brasil no século XIX.

A obra Tungstênio (2014), escrita por Marcello Quintanilha e premiada com o Fauve d’Or no Festival de Angoulême, conecta quatro personagens em torno de um crime ambiental na orla de Salvador. O autor também criou Escuta, Formosa Márcia (2021), que conquistou o Jabuti e foi novamente reconhecida em Angoulême, retratando os desafios enfrentados por uma enfermeira em meio a conflitos familiares e sociais.

Na esfera da fantasia e inovação estética, A Sereia da Floresta (2023), obra de Hiro Kawahara, fez história ao se tornar a primeira HQ brasileira a receber a medalha de ouro no Japan International Manga Award. Esta narrativa apresenta uma sereia ressurgindo na Europa medieval durante a Grande Peste e a Inquisição. Por sua vez, Castanha do Pará (2016), criada por Gidalti Jr., vencedor do Jabuti como Melhor HQ, narra as aventuras de um menino-urubu nos arredores do mercado Ver-o-Peso em Belém, combinando leveza narrativa com crítica social.

A crítica contemporânea é abordada em Quadrinhos dos Anos 10 (2016) por André Dahmer, que reúne tiras curtas sobre a vida moderna e foi vice-campeã do Jabuti. A metalinguagem se faz presente em META: Departamento de Crimes Metalinguísticos (2021) dos autores Marcelo Saravá e André Freitas, que ganhou o Jabuti ao contar a história do assassinato de um desenhista cujos personagens se tornam suspeitos.

Dentre os lançamentos mais recentes está Como Pedra (2023) de Luckas Iohanathan, que conquistou o Jabuti em 2024 ao retratar as dificuldades enfrentadas por uma família no sertão nordestino. Também merece destaque Mais uma história para o velho Smith (2024) por Orlandeli, que venceu o Jabuti em 2025 ao narrar as memórias perdidas de um contador de histórias.

A Prefeitura possui duas gibitecas dedicadas à nona arte localizadas no centro da cidade. A Gibiteca Henfil no Centro Cultural São Paulo abriga mais de 10 mil títulos e conta ainda com um espaço reservado para zines e raridades como fac-símiles das primeiras edições das revistas Superman e Mônica. O funcionamento ocorre de terça a sexta-feira das 10h às 20h e aos finais de semana das 10h às 18h, permitindo o empréstimo de até 10 HQs por leitor.

A Gibiteca da Biblioteca Infantojuvenil Monteiro Lobato na Vila Buarque possui um acervo com mais de 4.400 exemplares e 2.300 coleções que incluem gibis e mangás além de jogos tabuleiros. O horário funciona conforme a biblioteca: segunda a sexta-feira das 8h às 17h e sábados das 10h às 14h.

No total, somando os acervos da Monteiro Lobato e outras unidades bibliotecárias da cidade, são mais de 83 mil quadrinhos disponíveis em 84 locais dentro do Sistema Municipal de Bibliotecas. Informações sobre os endereços e títulos disponíveis podem ser consultadas na plataforma Biblioteca Circula.

“São Paulo é um polo cultural que abriga diferentes expressões artísticas como as histórias em quadrinhos. As HQs desempenham um papel crucial na educação literária criativa das crianças e jovens enquanto se estabelecem como uma forma madura e relevante de narrativa”, afirma Totó Parente, secretário municipal da Cultura e Economia Criativa.

A leitura digital gratuita também é uma opção para os amantes dos quadrinhos na plataforma BiblioSP Digital oferecida pela Prefeitura. Com mais de 17 mil títulos disponíveis em diversas línguas — incluindo obras da Marvel, DC Comics, Graphic MSP e produções independentes brasileiras como Cumbe, Angola Janga, Tungstênio, entre outras — o serviço permite acesso facilitado à cultura para todos os cidadãos paulistanos.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 28/01/2026
  • Fonte: FERVER