Dia da Mulher tem atos contra violência de gênero em cidades pelo Brasil
Milhares tomam as capitais brasileiras para exigir segurança e políticas públicas após o país registrar números alarmantes em 2025.
- Publicado: 08/03/2026
- Alterado: 08/03/2026
- Autor: Thiago Antunes
- Fonte: Assessoria
O Dia da Mulher deixou de ser uma mera data comemorativa para se consolidar como um grito de sobrevivência no Brasil. Neste domingo, 8 de março, manifestantes ocuparam avenidas de diversas cidades. O objetivo central é cobrar medidas rigorosas contra a escalada da violência de gênero.
A nação carrega estatísticas recentes estarrecedoras. Durante todo o ano de 2025, o Ministério da Justiça e Segurança Pública contabilizou 1.470 feminicídios.
Esse volume de execuções representa um recorde histórico sangrento. Casos bárbaros, como o estupro coletivo de uma adolescente e o assassinato de uma professora, reacenderam o alerta da sociedade civil. O clamor por justiça guiou cada marcha neste Dia da Mulher de ponta a ponta do território nacional.
Como o Dia da Mulher parou o Rio de Janeiro

No Rio de Janeiro, o cenário escolhido para as mobilizações foi a icônica Praia de Copacabana. A Zona Sul sediou protestos massivos organizados por coletivos feministas e ativistas de direitos humanos.
O local do ato carrega um peso trágico incontornável. Semanas atrás, uma jovem de 17 anos sofreu um estupro coletivo exatamente naquele bairro.
A passeata percorreu o trajeto entre o Posto 3 e o Posto 1 acompanhada por um trio elétrico. Durante a caminhada, mensagens contundentes estampavam roupas e cartazes:
- “Não é não”
- “Eu quero viver sem medo”
- “A vergonha precisa mudar de lado”
A Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil também promoveu uma intervenção dramática nas areias cariocas. Honrando as vítimas na véspera das manifestações, ativistas fincaram cruzes demarcando a urgência do movimento com um recado claro:
“Parem de nos matar.”
Luto e arte marcam os atos em Porto Alegre

A capital gaúcha apostou em performances artísticas impactantes para expor o extermínio sistemático feminino. Integrantes de um grupo teatral marcharam pelo centro de Porto Alegre carregando sapatos mergulhados em um líquido vermelho.
Essa intervenção transformou as ruas em um verdadeiro corredor de luto. As manifestantes gritaram em coro os nomes das vítimas gaúchas enquanto caminhavam pela avenida.
O cenário de insegurança no Sul acende um alerta gravíssimo nas estatísticas oficiais:
- Foram 20 mulheres assassinadas no estado apenas neste início de ano.
- Os registros de feminicídio saltaram 53% até o fim de fevereiro, comparado ao mesmo período anterior.
Florianópolis exige justiça por Catarina Kasten

Em Santa Catarina, a mobilização no Dia da Mulher mesclou caminhada, intervenções culturais e debates no Parque da Luz. O grupo marchou em direção à Beira-Mar Norte unindo dezenas de moradores, políticos e sindicalistas.
A revolta pela perda de Catarina Kasten ditou o tom de todo o trajeto. A jovem foi violentada e executada em novembro de 2025 em uma trilha da Praia do Matadeiro.
A brutalidade do crime impulsionou a indignação das catarinenses que resistiram nas ruas para marcar presença e exigir respostas do poder público neste Dia da Mulher.
A força dos protestos deste domingo escancara que a busca por equidade transcende flores e homenagens rasas. O Estado precisa entregar políticas de prevenção robustas e garantir a punição inegociável dos agressores. Somente através de ações concretas, o significado histórico do Dia da Mulher será celebrado com a verdadeira segurança que todas merecem.