Desperdício de energia cai com uso de redes inteligentes, aponta FEI

Especialistas apontam que a solução não exige gerar mais eletricidade, mas modernizar toda a distribuição e o consumo para evitar perdas.

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O desperdício de energia afeta diretamente a sustentabilidade financeira e operacional do setor elétrico nacional. Durante as discussões do Dia da Eficiência Energética, a Engenharia Elétrica assume o protagonismo na resolução desse gargalo histórico brasileiro.

A professora Michele Rodrigues, pesquisadora do Centro Universitário FEI, explica que o maior potencial de melhoria se encontra na ponta final do sistema. A instituição completa 85 anos em 2026 e lidera o debate sobre inovações estruturais em redes elétricas.

As altas temperaturas registradas em períodos de calor extremo sobrecarregam a infraestrutura existente. Esse aquecimento eleva a resistência dos fios condutores e agrava silenciosamente o desperdício de energia nas linhas de transmissão.

Desperdício de energia e o impacto das matrizes renováveis

Levantamentos recentes da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) atestam que 88,2% da eletricidade do país teve origem em fontes limpas no ano de 2024. As usinas solares e eólicas responderam por expressivos 24% da matriz nacional.

Apesar do forte avanço da geração verde, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) identificou gargalos alarmantes em 2025. O sistema elétrico enfrentou severas limitações de escoamento e demonstrou baixa capacidade técnica para absorver a eletricidade excedente.

O fenômeno gerou restrições operacionais conhecidas no setor como curtailment. Na prática, até 20% da produção limpa foi sumariamente descartada, criando um cenário de desperdício de energia considerado insustentável pelas autoridades do setor.

Soluções para a flexibilização do sistema

A infraestrutura elétrica brasileira operava sob uma lógica centralizada e previsível de geração. O avanço exponencial e intermitente das fontes renováveis exige agora uma adaptação veloz para equalizar os picos de demanda diários.

Para mitigar o desperdício de energia em larga escala, engenheiros defendem a aplicação imediata de inovações focadas no gerenciamento ativo das cargas elétricas.

As tecnologias indispensáveis para essa transição incluem:

  • Redes inteligentes configuradas para o monitoramento da demanda em tempo real.
  • Sistemas robustos de armazenamento baseados em baterias de grande porte.
  • Protocolos automatizados de resposta da demanda nas indústrias.
  • Ampliação da interligação estratégica entre as regiões do país.

A adoção dessas ferramentas corta as perdas operacionais e injeta a flexibilidade que o modelo exige. A professora Michele Rodrigues reforça onde as falhas mais críticas ainda ocorrem.

“O maior potencial de ganho de eficiência encontra-se no consumo final, especialmente em motores elétricos, sistemas de climatização e processos industriais que operam sem gestão energética otimizada. Em períodos de calor extremo, o aumento da temperatura ambiente eleva a resistência elétrica dos condutores, intensificando as perdas por efeito Joule e resultando em maior consumo e menor eficiência operacional simultaneamente.”

A perspectiva do mercado elétrico precisa ser redirecionada. O foco estratégico mais racional e econômico não está na construção bilionária de novas usinas, mas sim no aproveitamento inteligente da capacidade instalada.

A integração de matrizes renováveis com tecnologia avançada blinda a rede contra o estrangulamento da transmissão. Essa atualização garante a segurança do abastecimento nacional e neutraliza de vez o desperdício de energia.

  • Publicado: 04/03/2026
  • Alterado: 04/03/2026
  • Autor: 04/03/2026
  • Fonte: FEI