Desigualdade social cai no Brasil com alta na renda dos mais pobres
Avanço de 10,7% nos rendimentos foi impulsionado por emprego formal e Bolsa Família
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 18/04/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Sorria!,
Um recente estudo conduzido pelo FGV Social revelou que, em 2024, os trabalhadores mais pobres do Brasil experimentaram um aumento de 10,7% em seus rendimentos. Esse crescimento é notavelmente 50% superior ao registrado pelos 10% mais ricos, que tiveram um incremento de 6,7%. Essa situação representa a maior diminuição da desigualdade social observada no país nos últimos anos. Em média, a renda do trabalho cresceu 7,1% no período.
Os dados apresentados na pesquisa foram coletados a partir da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua). A análise aponta que esse avanço se deve a uma combinação entre a geração de empregos formais e a implementação da Regra de Proteção do Bolsa Família. Este mecanismo permite que beneficiários mantenham o auxílio mesmo após conseguirem um emprego formal.
Redução histórica da desigualdade
Marcelo Neri, responsável pela pesquisa na FGV, enfatizou a significativa redução da desigualdade em 2024. “Observamos um avanço mais expressivo na renda do trabalho em comparação com outros componentes de renda”, afirmou Neri.
A Regra de Proteção do Bolsa Família foi considerada essencial para este resultado positivo. Desde sua reativação em 2023, o programa passou a oferecer um aumento médio de 44% no valor recebido por cada beneficiário. Segundo Neri, isso proporcionou um (“colchão de segurança”) para os beneficiários, permitindo que eles ingressassem no mercado formal sem perder o apoio governamental, o que resultou em um crescimento mais robusto na base da pirâmide social.
O ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, também destacou a importância dessa medida. “A Regra de Proteção do Bolsa Família é fundamental para assegurar que os beneficiários possam buscar novas oportunidades de emprego sem abrir mão do suporte governamental. Ela cria um ambiente seguro e estimula a formalização do trabalho, contribuindo para a redução das desigualdades e o crescimento econômico do país”, declarou o ministro.
Inclusão produtiva e crescimento estrutural
Além disso, o estudo apontou que houve um aumento significativo na escolaridade entre os trabalhadores de baixa renda, indicando uma melhoria estrutural importante na luta contra a desigualdade. A queda nas taxas de desemprego também teve um impacto relevante nesse cenário otimista, alcançando em 2024 a menor média histórica: 6,6%.
Em termos práticos, 75,5% das novas vagas criadas no mercado formal foram ocupadas por beneficiários do Programa Bolsa Família, enquanto 98,8% foram preenchidas por pessoas registradas no Cadastro Único. Esses dados foram obtidos através da análise cruzada entre o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) e o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social.
Neri destacou dois pontos essenciais: primeiramente, a prosperidade dos trabalhadores brasileiros, com um crescimento de 7,1%, é inegável; segundo, a recente redução da desigualdade — medida em 2,9 pontos pelo índice Gini — resulta em um aumento geral no bem-estar da população brasileira de 10,2%, impulsionado tanto pelo crescimento da renda quanto pela diminuição das disparidades trabalhistas.
Como parte dos esforços para promover a inclusão socioeconômica no país, o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social realizará no próximo dia 29 de abril uma cerimônia para premiar iniciativas exemplares que contribuem para essa causa. O Prêmio Nacional de Inclusão Socioeconômica reconhecerá projetos inovadores desenvolvidos por estados, municípios e instituições financeiras voltados à inclusão produtiva de pessoas cadastradas no CadÚnico.
A premiação será dividida em três categorias principais: Inserção no Mercado de Trabalho; Empreendedorismo e Fomento; e Combate à Desigualdade. Também haverá menções honrosas para organizações civis envolvidas com o Programa Acredita. O evento reunirá diversas autoridades governamentais e representantes do setor privado para celebrar os avanços na redução das desigualdades sociais no Brasil.