Depressão Pós-Parto: Como reconhecer e superar os desafios emocionais na maternidade
Confira os sinais, causas e a importância do apoio familiar para uma maternidade saudável
- Publicado: 19/01/2026
- Alterado: 18/04/2025
- Autor: Redação
- Fonte: TUCA
A chegada de um novo membro à família é frequentemente celebrada como um momento de grande alegria. No entanto, para alguns pais, esse período pode ser acompanhado por desafios emocionais significativos, como a depressão pós-parto. Dados da Fiocruz indicam que cerca de 25% das mulheres brasileiras apresentam sintomas relacionados a essa condição até 18 meses após o nascimento do bebê.
Marcos Torati, psicólogo e professor com mestrado em psicologia clínica pela PUC-SP, esclarece que a transição para a maternidade muitas vezes envolve um processo complexo de luto, relacionado tanto às mudanças corporais quanto às alterações nas dinâmicas sociais. Segundo Torati, muitas mulheres podem sentir que suas carreiras e sua liberdade estão comprometidas. Em particular, mães solteiras podem buscar apoio emocional no bebê, o que pode gerar um ciclo de frustração quando as necessidades da criança entram em conflito com seus próprios sentimentos.
A depressão pós-parto é uma condição multifatorial, influenciada por aspectos biológicos, psicológicos e sociais. Vários fatores de risco podem aumentar a probabilidade do seu desenvolvimento, incluindo um histórico anterior de depressão, eventos estressantes durante a gestação ou após o parto, baixa autoestima, experiências traumáticas passadas como abuso ou violência, gravidez não planejada e conflitos conjugais.
Torati explica que mulheres que vivenciaram experiências negativas na infância relacionadas à maternagem podem ter maior risco de desenvolver depressão pós-parto. Nesses casos, o nascimento do filho pode reativar sentimentos de rejeição e desamparo vivenciados na infância. Isso pode levar a emoções complexas como ciúmes e raiva direcionadas ao bebê, uma vez que elas percebem a atenção dos entes queridos voltada exclusivamente para a criança. O papel do psicanalista é crucial nesse cenário: ajudar a transformar esses sentimentos negativos em compreensões mais simbólicas e menos prejudiciais.
Sinais de Alerta
É vital que novos pais e seus familiares estejam atentos aos sinais da depressão pós-parto. Os sintomas podem variar amplamente, mas alguns dos mais frequentes incluem:
- Rejeição ao bebê;
- Conflitos emocionais com o parceiro;
- Medos relacionados à perda da identidade e atratividade sexual.
Torati também destaca uma questão crítica: muitas mães podem esconder sua condição de depressão pós-parto. Elas podem desenvolver mecanismos de defesa que ocultam sentimentos negativos em relação ao filho por meio de cuidados excessivos ou preocupações sufocantes, criando uma fachada que mascara um desejo inconsciente de afastar-se do bebê. “Esse fenômeno pode ser visto como uma defesa contra impulsos destrutivos direcionados à criança“, observa Torati.
A Importância do Apoio Familiar
O suporte familiar é fundamental para enfrentar a depressão pós-parto. Torati enfatiza que o apoio deve ser direcionado tanto à mãe quanto ao bebê. O parceiro muitas vezes assume um papel essencial nesse contexto, servindo como um “substituto materno” para garantir os cuidados necessários à mãe durante momentos em que ela se sente incapaz de exercer plenamente esse papel.
Esse cuidado permite que as mães sintam-se apoiadas, algo crucial para desenvolverem um vínculo saudável com seus filhos. “Se o pai for o homem biológico da criança, é importante que ele ative seu lado mais empático e cuidador”, sugere Torati.
A idealização cultural de que o amor materno é inato e incondicional não reflete a realidade vivida por muitas mulheres. Assim sendo, a depressão pós-parto pode se manifestar como um enigma emocional difícil de compreender para as próprias mães. O reconhecimento e o diagnóstico adequados são passos essenciais para viabilizar o tratamento necessário.
A capacidade das mães de cuidar de si mesmas está intrinsecamente ligada à existência de um ambiente favorável ao autocuidado. Para isso, é imprescindível que haja alguém disponível para cuidar do recém-nascido.
Por fim, Torati conclui ressaltando que uma rede de apoio sólida constitui o alicerce para a recuperação da depressão pós-parto. Essa estrutura permite que as mães tenham tempo para se dedicar ao autocuidado – incluindo alimentação adequada, sono reparador e momentos dedicados ao lazer –, todos fundamentais no processo de recuperação emocional.