Deolane Bezerra é presa em operação contra esquema do PCC
Investigação aponta envolvimento da influenciadora e da família de Marcola em esquema milionário de transportadora paulista
- Publicado: 21/05/2026 07:16
- Alterado: 21/05/2026 10:39
- Autor: Thiago Antunes
- Fonte: MP-SP
Uma operação do Ministério Público de São Paulo e da Polícia Civil prendeu preventivamente a advogada e influenciadora Deolane Bezerra na manhã desta quinta-feira (21). A ação integra as investigações sobre um esquema de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC) envolvendo a família de Marco Herbas Camacho, o Marcola.
Os agentes cumprem seis mandados de prisão e diversas ordens de busca e apreensão na Operação Vérnix. O esquema ilícito operava por meio de uma transportadora de cargas sediada em Presidente Venceslau (SP), controlada diretamente pela cúpula da maior facção criminosa do país.
O operador financeiro da organização, Everton de Souza, conhecido como Player, também foi detido na ação de hoje. A Justiça expediu novos mandados de prisão contra Marcola, seu irmão Alejandro Camacho, e dois sobrinhos do líder da facção que estariam escondidos na Espanha e na Bolívia.
A conexão de Deolane Bezerra com o esquema financeiro

A Justiça paulista determinou o bloqueio imediato de R$ 27 milhões nas contas bancárias de Deolane Bezerra. A investigação aponta a influencer como uma das principais recebedoras de recursos ilegais provenientes da transportadora utilizada pela facção como empresa de fachada.
Entre 2018 e 2021, Deolane Bezerra recebeu R$ 1.067.505,00 em depósitos fracionados com valores abaixo de R$ 10 mil. A técnica contábil, chamada de smurfing, busca burlar o controle das autoridades financeiras e contava com a intermediação direta de Everton de Souza para os “fechamentos” mensais.
“A projeção pública, a atividade empresarial formal e a movimentação patrimonial funcionavam como camadas de aparente legalidade para dificultar a identificação da origem ilícita dos recursos”, destacou o relatório oficial da investigação conjunta.
Origem das apurações e rastreamento de dados
O caso começou a ser desvendado em 2019, após a Polícia Penal interceptar bilhetes entre detentos da Penitenciária II de Presidente Venceslau. O material apreendido mencionava uma funcionária da transportadora encarregada de levantar endereços de agentes públicos para futuros ataques coordenados.
As diligências evoluíram para a Operação Lado a Lado em 2021, revelando o verdadeiro braço financeiro da organização. A apreensão do celular de Ciro Cesar Lemos, gestor fantasma da empresa e atual foragido, expôs a rota de transferências de capital para os investigados.
Imagens de comprovantes de depósitos destinados a contas de Deolane Bezerra e Everton de Souza foram encontradas no aparelho celular do operador. Duas empresas ligadas à influenciadora também receberam R$ 716 mil de um suposto banco de crédito administrado por um morador da Bahia com renda mensal de apenas um salário mínimo.
Apreensões milionárias e risco de fuga
O judiciário decretou o congelamento de R$ 357,5 milhões dos investigados e o bloqueio de 39 veículos de luxo avaliados em mais de R$ 8 milhões. Os magistrados justificaram as ordens de prisão pela sofisticação da rede, pelo risco real de fuga e pela tentativa contínua de ocultação de patrimônio.
As autoridades cumprem mandados na residência da advogada em Barueri, após ela retornar de uma viagem a Roma, na Itália, na quarta-feira (20). O influenciador Giliard Vidal dos Santos e um contador da família também são alvos de buscas na mesma megaoperação que capturou Deolane Bezerra.
Atualização patrimonial e cerco internacional
O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Presidente Prudente e a Central de Polícia Judiciária detalharam novos desdobramentos da ofensiva. A Justiça determinou o bloqueio atualizado de mais de R$ 327 milhões em bens vinculados ao grupo criminoso.
Os agentes sequestraram quatro imóveis e 17 veículos, incluindo carros de luxo registrados em nome de possíveis laranjas. O Departamento de Operações Policiais Estratégicas (Dope) garantiu o suporte tático e operacional durante o cumprimento das ordens judiciais.
A frente internacional da investigação acionou a Polícia Federal para solicitar a inclusão de três suspeitos na Lista Vermelha da Interpol. As forças de segurança buscam localizar e capturar os alvos que estariam escondidos na Itália, Espanha e Bolívia.
As apurações continuam para descapitalizar integralmente a rede criminosa e expor todas as estruturas criadas para lavar o dinheiro ilícito. O Ministério Público mantém o foco no rastreamento do patrimônio e no aprofundamento das conexões financeiras da influenciadora Deolane Bezerra.