Delegacias expandem rede de proteção às mulheres no estado
Rede de delegacias e Salas DDM cresceu 80% desde 2022 e amplia o atendimento especializado às mulheres em São Paulo
- Publicado: 03/07/2026 09:25
- Alterado: 03/07/2026 09:25
- Autor: Daniela Penatti
- Fonte: Agência SP
A rede de atendimento policial especializado às mulheres em situação de violência no Estado de São Paulo passou de 202 para 364 unidades desde 2022, um crescimento de 80%. A ampliação foi impulsionada principalmente pelas Salas DDM, estruturas instaladas em plantões policiais que oferecem atendimento especializado por videoconferência.
Atualmente, o estado conta com 144 delegacias de Defesa da Mulher (DDMs) e 220 Salas DDM. Em 2022, eram 140 unidades especializadas e apenas 62 salas de atendimento.
Além da expansão física, o Governo de São Paulo reforçou o atendimento às mulheres por meio do pacote “SP por Todas Mais Seguras”, anunciado em maio, após a nomeação da primeira mulher para o comando-geral da Polícia Militar paulista.
Pacote amplia proteção e atendimento
O programa reúne três novas frentes de atuação voltadas à proteção das mulheres:
- Patrulha SP Mulher Segura, primeira ronda da Polícia Militar dedicada exclusivamente à proteção feminina, com previsão de mais de 100 viaturas até o fim de 2026;
- Espaços Lilás, com 40 unidades instaladas em batalhões da PM para localizar mulheres que acionaram o telefone 190, mas não formalizaram denúncia;
- Aplicativo SP Mulher Segura, que ganhou novas funcionalidades para acionamento da polícia e acolhimento das vítimas.
Salas DDM aproximam atendimento especializado
A expansão da rede foi impulsionada principalmente pelas Salas DDM, que passaram de 62 para 220 unidades desde 2022. Esses espaços funcionam dentro de delegacias comuns e oferecem atendimento especializado às vítimas de violência de gênero por meio de videoconferência com policiais capacitados.
O modelo permite que mulheres residentes em cidades sem DDM física tenham acesso ao atendimento especializado no plantão policial mais próximo, incluindo o registro da ocorrência e o pedido de medida protetiva.
Desde 2023, foram implantadas 158 novas Salas DDM, sendo 15 em 2023, 76 em 2024, 18 em 2025 e 49 em 2026.
No mesmo período, quatro novas DDMs foram inauguradas nas cidades de Paulínia, Ferraz de Vasconcelos, Franco da Rocha e Atibaia. Atualmente, das 144 delegacias especializadas, 19 funcionam em regime de 24 horas — sete na capital, duas na Grande São Paulo e dez no interior.
“Nosso compromisso é garantir que toda mulher saiba que não está sozinha e tenha acesso rápido aos serviços de proteção. Ao ampliar essa rede em todo o estado, aproximamos o atendimento da população, fortalecemos o acolhimento e estimulamos a denúncia, que é o primeiro passo para interromper o ciclo da violência”, afirmou o secretário da Segurança Pública de São Paulo, Osvaldo Nico Gonçalves.
Aplicativo permite pedir ajuda pelo celular
Além do atendimento presencial nas delegacias, as vítimas podem solicitar ajuda por meio do aplicativo SP Mulher Segura, que permite registrar ocorrências e acionar a Polícia Militar pelo celular.
Até junho de 2026, a plataforma contabilizava 73,2 mil usuárias ativas e 17,9 mil acionamentos do botão do pânico — média próxima de um chamado por hora. Quando ativado, o sistema envia automaticamente uma ocorrência ao Centro de Operações da PM, que despacha uma viatura com base na localização da vítima.
O aplicativo também permite cadastrar um contato de confiança. Após o atendimento da ocorrência, a Cabine Lilás entra em contato com essa pessoa para reforçar a rede de apoio à vítima.
Governo reforça políticas de enfrentamento à violência
O enfrentamento à violência contra a mulher é coordenado pela Secretaria de Políticas para a Mulher por meio do movimento SP por Todas, lançado em março de 2024. A iniciativa reúne ações nas áreas de segurança pública, saúde, acolhimento e autonomia econômica.
Entre os serviços disponíveis estão as DDMs, as Salas DDM, a Cabine Lilás, as Casas da Mulher Paulista, a Patrulha SP Mulher Segura e o aplicativo SP Mulher Segura, que possui botão do pânico integrado ao monitoramento eletrônico de agressores com tornozeleira.
A política de monitoramento, iniciada em setembro de 2023 em parceria com o Tribunal de Justiça, já acompanhou mais de 1,2 mil homens com medidas protetivas e resultou na prisão de 136 pessoas por descumprimento das determinações judiciais.
Em abril, a coronel Glauce Anselmo Cavalli assumiu o comando-geral da Polícia Militar de São Paulo, tornando-se a primeira mulher a ocupar o cargo em quase 200 anos de história da corporação.
O movimento SP por Todas também foi fortalecido em 2026 com o lançamento do pacote SP por Todas Mais Seguras, ampliando a rede de proteção, acolhimento e combate à violência de gênero em todo o estado.