Defesa de Lula pede suspensão de transferência de penitenciária

Além do pedido, advogado do petista faz mais três solicitações ao ministro Gilmar Mendes

Defesa de Lula pede suspensão de transferência de penitenciária

Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva recorreu ao ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), contra decisão da juíza Carolina Lebbos, da 12ª Vara Federal de Curitiba, que autorizou a transferência do petista de Curitiba para São Paulo, com base em um pedido da Polícia Federal.

O advogado Cristiano Zanin Martins fez três pedidos a Gilmar: que conceda liminar para restabelecer a liberdade plena de Lula; subsidiariamente, suspenda a eficácia da decisão de Carolina até final de julgamento de habeas corpus; e assegure ao ex-presidente o direito de permanecer em Sala de Estado Maior.

Na petição, a defesa de Lula cita o fato de que o ex-juiz e atual ministro da Justiça, Sergio Moro, responsável pela primeira condenação de Lula, é objeto de uma ação de suspeição.

“Fato é que tais decisões implicam em elevar sobremaneira o constrangimento ilegal imposto ao paciente [Lula], tal como discutido nestes autos. Afinal, se o paciente foi encarcerado (em inconstitucional execução provisória da pena) com base em decisão proferida em processo injusto, instruído e julgado por juiz suspeito, sua transferência neste momento – na pendência do julgamento deste habeas corpus – para um estabelecimento penitenciário comum é manifestamente descabida e ilegal”, diz a defesa do petista.

No recurso a defesa de Lula argumenta também que a Polícia Federal, autora do pedido de transferência, é subordinada a Moro. “Como já exposto, trata-se de órgão subordinado ao ex-juiz Sérgio Moro, que figura como autoridade excepta nestes autos. Ademais, a prevalecer esse entendimento de que o Estado não tem condições de assegurar ao Paciente a Sala de Estado Maior, impossível cogitar-se na piora da sua situação jurídica – mediante a transferência a um estabelecimento penitenciário comum para cumprimento de uma pena sequer definida por decisão condenatória definitiva (transitada em julgado)”, diz a defesa.

O pedido de libertação de Lula se baseia na própria argumentação da PF, que alega não ter condições de manter o ex-presidente na superintendência de Curitiba. De acordo com os advogados do petista, se o estado não tem capacidade para manter Lula preso em local apropriado, deve libertá-lo.

Para a defesa do ex-presidente, a decisão da juíza de Curitiba representa um “agravamento” do regime penal imposto ao petista.

  • Publicado: 07/08/2019 16:24
  • Alterado: 07/08/2019 16:24
  • Autor: Redação ABCdoABC
  • Fonte: Estadão Conteúdo