Defesa de Bolsonaro adota tese do "golpe do golpe"
Generais rejeitam tese e criticam estratégia do ex-presidente em meio a investigações.
- Publicado: 20/01/2026
- Alterado: 30/11/2024
- Autor: Redação
- Fonte: Multiplan MorumbiShopping
Nos últimos dias, a defesa de Jair Bolsonaro adotou uma nova linha estratégica: a tese do “golpe do golpe”. Essa abordagem argumenta que, em vez de beneficiar o ex-presidente, o plano golpista visava destituí-lo para que militares de alta patente assumissem o poder. Esta tese envolve diretamente os generais Augusto Heleno e Walter Braga Netto como principais beneficiários de uma eventual ruptura institucional.
A base dessa tese está em um documento elaborado pelo general da reserva Mario Fernandes, suspeito de arquitetar o plano golpista revelado pela Polícia Federal. O documento previa a criação de um Gabinete Institucional de Gestão de Crise, liderado por militares após o golpe. A divulgação dessa linha de defesa gerou descontentamento entre os militares mencionados, que se sentiram traídos pela tentativa de Bolsonaro em se desvencilhar das acusações.
O advogado Paulo Amador da Cunha Bueno reforçou essa posição ao afirmar que Bolsonaro não seria beneficiado por um golpe. Segundo ele, o “Plano Punhal Verde e Amarelo” não incluía Bolsonaro como líder pós-golpe. Bueno também afirmou que o ex-presidente desconhecia o plano da PF que envolvia ações extremas contra líderes políticos.
Braga Netto criticou publicamente a tese como “fantasiosa”, destacando sua lealdade a Bolsonaro durante todo o governo. Militares próximos a Heleno e Braga Netto consideram que a defesa priorizou interesses políticos acima das relações estabelecidas no governo.
Esse cenário evidencia uma complexa trama política envolvendo figuras-chave do governo Bolsonaro, que agora enfrentam desafios internos e externos em meio às investigações. A resposta da defesa de Bolsonaro e as reações dos militares envolvidos continuam a alimentar debates sobre as verdadeiras intenções por trás dos planos revelados.