Tarcísio e Haddad levam PCC, saúde e privatizações ao último debate

Encontro final no primeiro turno abordou o crime organizado, tarifas de água e nacionalizou a disputa pelo Palácio dos Bandeirantes.

Tarcísio e Haddad levam PCC, saúde e privatizações ao último debate

Crédito: Bob Paulino/Globo

O último debate Tarcísio e Haddad antes do encerramento do primeiro turno transformou os estúdios da TV Globo em um palco de polarização nacional. Os candidatos ao Governo do Estado de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT), protagonizaram duros embates sobre segurança pública, concessões estaduais e a influência de seus padrinhos políticos.

Acusações sobre crime organizado e violência

A segurança pública dominou o primeiro bloco do encontro televisivo. Os adversários trocaram acusações diretas sobre supostas alianças de seus grupos políticos com o Primeiro Comando da Capital (PCC).

O candidato petista destacou a infiltração do Comando Vermelho (CV) no interior paulista. Ele questionou a capacidade da atual gestão estadual em conter o avanço estrutural das facções nas instituições.

“Nós estamos batendo recorde de feminicídio no estado de São Paulo“, criticou Fernando Haddad. O candidato apontou que três em cada dez celulares roubados no Brasil ocorrem no território paulista.

O governador rebateu as críticas afirmando que o avanço criminoso afeta o país inteiro. O representante do Republicanos argumentou que os indicadores oficiais de criminalidade caíram continuamente durante seu mandato.

“Isso não está ficando encoberto”, defendeu Tarcísio de Freitas, referindo-se às recentes operações policiais envolvendo o transporte público e esquemas de lavagem de dinheiro na capital.

Filas na saúde e reflexos da gestão federal

O clima de tensão no debate Tarcísio e Haddad continuou alto durante as discussões sobre o sistema de saúde. A estrutura hospitalar da Baixada Santista motivou a primeira troca de farpas sobre as administrações anteriores de ambos os lados.

O ex-ministro culpou a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pelo estrangulamento da rede médica. Ele associou o volume represado de procedimentos no estado à postura adotada pelo governo federal durante a pandemia.

Em contrapartida, o atual gestor estadual relembrou o mandato de seu oponente na Prefeitura de São Paulo. O candidato à reeleição afirmou que o petista falhou ao deixar de entregar nove das dez metas estabelecidas para a área da saúde municipal.

O tema econômico rendeu questionamentos diretos sobre ajustes fiscais e recuperação judicial de empresas. O governador cobrou explicações claras sobre as políticas de crédito que afetam grandes varejistas no país.

O representante do Partido dos Trabalhadores rebateu recordando o pagamento de antigas dívidas. “Eu fui lá e paguei porque eu não te discriminei”, argumentou o petista sobre o repasse de recursos bilionários da União aos cofres paulistas.

Obras viárias e impactos das concessões

A mobilidade urbana assumiu o protagonismo no terceiro bloco do debate Tarcísio e Haddad. O chefe do executivo listou os avanços físicos da Linha 6-Laranja do Metrô e as entregas de trechos do Rodoanel Norte.

A proposta central da oposição focou na criação do Bilhete Integrado. A medida unificaria o sistema tarifário para atender os trabalhadores da Região Metropolitana de São Paulo que utilizam múltiplas conduções diárias.

As concessões recentes viraram alvo imediato de ataques do candidato opositor. O ex-ministro apontou um aumento de 27% nas falhas do sistema de trens metropolitanos após as desestatizações no setor de transportes.

Embate sobre a privatização da Sabesp

As denúncias sobre a qualidade da água entregue no litoral mantiveram a hostilidade entre os candidatos. O ex-prefeito criticou as falhas de abastecimento e o valor cobrado pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp).

O atual governador justificou o aspecto turvo da água citando o volume atípico de chuvas na região. Ele garantiu que a privatização da companhia viabilizou um orçamento inédito para expandir a coleta e o tratamento de esgoto.

A despoluição do Rio Tietê encerrou as discussões técnicas deste bloco no debate Tarcísio e Haddad. O atual gestor apontou a redução estrutural da mancha de poluição e questionou o raciocínio matemático utilizado por seu adversário político.

Considerações finais nacionalizam a disputa

Os últimos minutos do encontro evidenciaram a estratégia de amarrar o pleito estadual aos grandes nomes da política federal. O candidato à reeleição pediu votos associando sua base de apoio a figuras da direita, como o senador Flávio Bolsonaro (PL).

Já Fernando Haddad focou seu encerramento no desempenho das escolas públicas e nas filas do SUS. A chapa de oposição destacou que a educação paulista caiu para o 10º lugar em rankings de avaliação, exigindo também prestação de contas sobre isenções fiscais oferecidas a grandes empresários.

O confronto televisivo encerra a fase mais intensa da campanha pelo Palácio dos Bandeirantes. Analisar as propostas e os desdobramentos deste debate Tarcísio e Haddad definirá os rumos de milhares de eleitores indecisos nas urnas paulistas.

Thiago Antunes

  • Publicado: 30/09/2026 07:23
  • Alterado: 30/09/2026 08:06
  • Autor: Thiago Antunes