De Brasília a Miami: Bastidores, Técnicas e Sumiços na Política do Plenário

Motta, Eduardo Bolsonaro e os encontros improváveis entre Trump e Lula

Crédito: Câmara dos Deputados

Quando Hugo Motta, esse oráculo da Câmara dos Deputados, decide algo, é melhor que todos fiquem atentos: a técnica falou mais alto. Diz ele, com a gravidade de quem segura uma prancheta invisível, que negar a liderança a Eduardo Bolsonaro foi decisão “estritamente técnica”. E quem ousa duvidar do rigor técnico do Motta? Afinal, precedentes são como unicórnios em Brasília: bonitos, mas ninguém nunca viu um.

A cena é quase shakespeariana: Motta escutando o parecer da secretaria-geral da Mesa como se fosse a voz do além. “Não há possibilidade de mandato do exterior”, bradou. Alguém na plateia ficou surpreso? Difícil. O mundo gira, a Lusitana roda, mas a Câmara ainda não chegou na era do home office tropical, especialmente para quem esqueceu de deixar o atestado na recepção.

Enquanto Motta se apega ao manual, Eduardo Bolsonaro faz as malas — e bota malas nisso. O presidente da Casa não hesitou: se Eduardo quer brincar de House of Cards in Miami, que brinque por lá mesmo. Decisão técnica, ou seja, o tipo de decisão que todo político adora quando serve para travar o jogo do adversário.

Eduardo Bolsonaro: liderança pelo Zap

Tal como o seu pai que queria governar pelo falecido Twitter, o Eduardo Bolsonaro, o Bananinha, eterno herdeiro do trono do WhatsApp, recebe do partido a missão de liderar a minoria sem precisar aparecer no Plenário. Prático, não? O PL, sempre criativo, apresenta um argumento digno de streaming da Record: “Na liderança, não precisa marcar presença.” Se colar, virou doutrina.

Enquanto o plenário procura o líder nos assentos, nosso Eduardo — mais americano do que cachorro-quente em estádio de baseball — vira embaixador do próprio desaparecimento: Bananinha “articula” a próxima traição entre um café com aliados lá fora e uma selfie na Times Square. Entre apertos de mão apertos de mão ensopados em protocolo e sem calor humano e o registro fotográfico no roteiro turístico, o deputado ensaia a sua comédia autoral: “O Brasil visto do balcão do fast food”, articula a manobra que o enterra mais fundo ainda, Bananinha afina o roteiro lá fora: O Brasil visto do Kentucky Fried Chicken, com direito a selfie na Times Square.

O mais divertido é que, para justificar esse sumiço de gala, o PL desenterra uma ata de 2015, como quem encontra carta velha na gaveta. Segundo o papel amarelado, líderes podem faltar sem culpa. Pena que esqueceram de combinar com Motta que já cortou as asinhas da galera “de bem”, e com o tal do critério técnico, simplesmente não vai rolar. No fim, Eduardo ficou sem cargo e sem tapete vermelho.

Trump & Lula e o Sorriso Improvável

No palco global, Lula e Donald Trump protagonizam o encontro diplomático mais improvável desde que FHC e Bill Clinton discutiram futebol. Tudo começa na Assembleia-Geral da ONU, onde Trump, com seu carisma de vendedor de enciclopédia, elogia Lula: “Tivemos química por uns 30 segundos.” Trinta segundos que, para diplomatas, são eternos.

Trump, sempre sutil, avisa que só faz negócios com quem gosta. E gostou de Lula, pelo menos enquanto as câmeras estavam ligadas. O republicano anunciou publicamente o encontro, transformando o tête-à-tête em episódio de reality show. Lula, por sua vez, devolveu os recados, misturando sanções, Caribe e uma pitada de crítica made in Alvorada.

Enquanto os líderes sorriem para a foto, a plateia mundial se pergunta: será que nasce daqui uma parceria ou um novo episódio de “Desencontros Diplomáticos”? Por ora, ficou a promessa de reunião — ou seria só mais uma selfie para o álbum internacional?

Soberania à Brasileira

Hugo Motta, agora em tom de estadista, defende a soberania nacional como quem protege a última fatia de pizza. “Nossa soberania não está em discussão”, garante ele, enquanto comenta sobre tarifas e sanções, como se a política externa fosse um menu de restaurante self-service.

O presidente da Câmara faz questão de lembrar que o Brasil precisa dialogar, mas sem perder o charme. Afinal, diplomacia por aqui é igual churrasco: cada um traz o que tem. Para Motta, diálogo é sempre bem-vindo, desde que não atrapalhe o jogo interno e não mexa no queijo do Congresso.

E de sanção em sanção, seguimos construindo essa ponte imaginária entre Brasília e Washington, com Lula ora aceitando, ora contestando, e Motta de fiscal da fila do pão. No fim das contas, o importante é parecer soberano — nem que seja só na retórica.

Conclusão: De Brasília a Washington

Entre decisões técnicas e líderes ausentes, Brasília continua sendo o teatro do absurdo, onde Motta vira protagonista e Eduardo Bolsonaro, figurante internacional. O roteiro é previsível: cada qual defendendo sua narrativa, todos tentando salvar um mandato — ou pelo menos um meme.

Vimos uma cena de Lula e Trump fazendo as pazes (diante das câmeras), garantindo manchetes e doses generosas de ironia diplomática. Enquanto isso, a política nacional segue seu curso, misturando rigor técnico com jeitinho brasileiro, sempre pronto para driblar regras e criar novas doutrinas de ocasião.

E assim, de despacho em despacho, Brasília acena para Washington e vice-versa. No fim, a rima é inevitável: técnica de Motta, ausência de Eduardo, encontro de Lula e Trump. Tudo junto, misturado, e com aquele tempero ácido que só a política brasileira sabe oferecer. Porque, no Brasil, até a diplomacia pede um pouco de pimenta.

  • Publicado: 20/02/2026
  • Alterado: 20/02/2026
  • Autor: 24/09/2025
  • Fonte: Patati Patatá Circo Show