Curso traz alfabetização para inclusão de jovens com Down no mercado de trabalho

Iniciativa do Instituto Unidown oferece formação focada em leitura, escrita e habilidades profissionais

Crédito: Divulgação/Freepik

Estudar sempre foi um desafio para Vinícius de Miranda, 23 anos, morador de São Paulo. Durante o período escolar, a rotina de aulas em tempo integral era cansativa e os conteúdos pareciam inalcançáveis.

No entanto, tudo mudou em março deste ano, quando ele ingressou em um curso de alfabetização oferecido pelo Instituto Unidown. A formação, voltada a jovens com síndrome de Down, busca desenvolver habilidades essenciais de leitura e escrita, preparando os alunos para o mercado de trabalho.

Vinícius é um dos 12 participantes que frequentam semanalmente as aulas com duração de três meses. “Já sabia ler e escrever, mas estou evoluindo. Quero conquistar um emprego e, futuramente, me tornar empresário”, afirma.

Jornal como ferramenta de aprendizado

Um dos destaques do curso é o uso do jornal infantojuvenil Joca como material didático. Com uma linguagem acessível, o periódico é utilizado nas dinâmicas de “roda de notícias”, em que os alunos discutem reportagens e ampliam seu vocabulário.

A diretora educacional da editora Magia de Ler, Cristina Harich, explica que o Joca aborda temas variados, incluindo atualidades como a guerra na Ucrânia, de maneira neutra e compreensível.

Além do jornal, os educadores utilizam jogos de tabuleiro, aplicativos e atividades práticas para reforçar conteúdos de matemática básica e comunicação. Os alunos também participam de simulações de entrevistas de emprego, desenvolvendo competências essenciais para a inserção profissional.

Alfabetização como chave para a inclusão

Segundo a idealizadora do curso, Gizele Caparroz, a baixa taxa de alfabetização entre os jovens com síndrome de Down foi o ponto de partida da iniciativa. Entre os mais de 1.300 atendidos pelo Instituto Unidown, apenas 8,7% são completamente alfabetizados, e apenas 1,3% se locomovem de forma independente utilizando transporte público.

Essa realidade impedia o avanço dos participantes nos cursos profissionalizantes já oferecidos pela entidade. Muitos não conseguiam lidar com tarefas simples, como preencher fichas ou participar de entrevistas. A nova formação busca justamente preencher essa lacuna.

As turmas foram divididas por nível de proficiência e têm aulas às segundas-feiras, na sede da instituição, na zona oeste de São Paulo. Ao fim do semestre, uma avaliação determinará quem continuará nos módulos seguintes.

Desafios da inclusão educacional

Apesar dos avanços legais, como o Estatuto da Pessoa com Deficiência de 2015, a inclusão de alunos com deficiência intelectual ainda enfrenta obstáculos. “Hoje, as escolas estão mais abertas, mas os jovens que atendemos viveram outra realidade, marcada pela exclusão”, afirma Gizele.

A proposta do curso é garantir não apenas o acesso, mas uma formação completa e adaptada, respeitando o tempo de aprendizado de cada aluno. “Queremos que eles aprendam a se expressar, interpretar textos, lidar com tecnologia – tudo com acolhimento e paciência”, conclui a professora.

  • Publicado: 13/02/2026
  • Alterado: 13/02/2026
  • Autor: 20/04/2025
  • Fonte: Sorria!,