Crise na leitura atinge metade dos estudantes no Brasil

Dados recentes revelam que a leitura segue como um dos maiores desafios da educação básica no país, impactando compreensão e desempenho escolar

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A dificuldade de leitura entre estudantes brasileiros tem se consolidado como um dos principais entraves da educação básica. Segundo dados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA), divulgados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), cerca de 50% dos alunos no país não atingem o nível básico de proficiência em leitura.

Baixo engajamento agrava cenário educacional

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O cenário se agrava quando se observa a relação dos estudantes com o próprio ato de ler. Levantamentos recentes indicam que 66% dos alunos não se dedicam a textos com mais de 10 páginas, o que evidencia não apenas dificuldades de compreensão, mas também de permanência e aprofundamento na leitura.

Para o escritor e mediador Eduardo Kaze, o problema vai além do acesso ao conteúdo escrito. “A leitura muitas vezes acontece como tarefa, mas não como experiência. O aluno lê, mas não permanece, não elabora, não constrói sentido de forma mais profunda”, afirma.

Projeto propõe nova abordagem em sala de aula

A partir dessa percepção, Kaze desenvolveu o projeto Leituras Vividas, uma proposta literário-pedagógica voltada à aplicação prática em escolas. O projeto se organiza a partir do conto de sua autoria, A Árvore de Abel, e oferece um material completo, incluindo guia pedagógico, roteiro de atividades e orientações de mediação.

A proposta busca estruturar a leitura como um processo, contemplando momentos antes, durante e após o contato com o texto, com foco na construção de sentido e na participação ativa dos alunos. “A ideia não é substituir o trabalho do professor, mas oferecer uma estrutura que amplie a experiência dentro da rotina já existente da escola”, explica o autor.

Material gratuito busca ampliar acesso nas escolas

Crianças na Semana de Leitura
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O material foi pensado para ser aplicado diretamente em sala de aula, sem necessidade de reformulação do planejamento pedagógico, podendo ser utilizado em poucos encontros. Segundo o idealizador, essa organização responde a um dos principais entraves apontados pelas instituições: a dificuldade de implementar novos projetos sem sobrecarregar os docentes.

Além disso, o projeto é disponibilizado gratuitamente para escolas, permitindo que conheçam a proposta antes de decidir por sua ampliação. “Existe hoje uma necessidade clara de fortalecer a leitura na escola, mas isso precisa acontecer de forma viável. Por isso optamos por disponibilizar o material”, afirma.

A iniciativa dialoga com um dado recente que aponta que apenas 19% das pessoas associam a escola ao hábito de ler, indicando perda de protagonismo do ambiente escolar nesse processo.

Para Kaze, iniciativas estruturadas podem ajudar a reverter esse quadro. “A escola ainda é o principal espaço de formação do leitor. Quando esse processo ganha intencionalidade pedagógica, deixa de ser apenas conteúdo e passa a ser formação.”

O material completo do projeto está disponível no site. Para acessar, é necessário preencher um formulário, e o conteúdo é enviado por e-mail em formato PDF, incluindo o conto completo, guias pedagógicos e atividades.

  • Publicado: 31/03/2026 11:40
  • Alterado: 31/03/2026 11:40
  • Autor: Daniela Penatti
  • Fonte: Eduardo Kaze