Crise política pressiona Akira e racha base em Rio Grande da Serra
Conflitos entre vereadores, acusações de espionagem e disputas internas aumentam a instabilidade no governo municipal
- Publicado: 18/03/2026 14:40
- Alterado: 18/03/2026 14:40
- Autor: Márcio Prado
- Fonte: Assessoria
Na política municipal de Rio Grande da Serra, a pressão contra o prefeito Akira Auriani (PSB) aumentou nas últimas semanas. Vereadores elevaram o tom das críticas à gestão, afirmando que a insatisfação da população já pode ser percebida nas ruas.
Um dos que falaram abertamente contra o prefeito foi o vereador Marcos Costa, o Tico, que chegou a declarar publicamente que Akira seria “o pior prefeito da história de Rio Grande da Serra”.
Nos bastidores da Câmara de Rio Grande da Serra, ainda não estão claros quais fatores mantêm parte dos vereadores considerados da base governista alinhados ao prefeito. O que se percebe, no entanto, é que já existe um ambiente político propício a uma dissidência dentro do grupo de apoio ao governo.
Entre os parlamentares que parecem se afastar do grupo de Akira está o vereador Leandro Ramos, que recentemente demonstrou aproximação política com a deputada estadual Carla Morando e Orlando Morando, adversários diretos dos candidatos apoiados pelo prefeito, deputada Ana Carolina Serra e Paulo Serra.
Guerra fria política entre Akira e o vereador Tico

O conflito interno mais delicado, com claros contornos de uma “guerra fria” política, envolve diretamente o prefeito de Rio Grande da Serra Akira Auriani e o vereador Tico.
De um lado, o vereador afirma possuir gravações em áudio e vídeo que comprometeriam integrantes do governo municipal. Em conversa com este jornalista, Tico justificou a existência do material afirmando que estaria apenas se defendendo de uma tentativa de cassação.
“Queriam me cassar. Tive que me defender”, disse o vereador.
Do outro lado, o governo municipal teria conhecimento dessas gravações, mas optou por não tomar medidas judiciais imediatas. Isso porque, em tese, o material teria sido obtido de forma ilegal e poderia configurar crime, como espionagem ou gravação clandestina.
Mesmo assim, a administração municipal mantém silêncio sobre o caso. A pergunta que podemos fazer é: se não há nada que comprometa o governo, por que não denunciar?
Gravações e investigação interna na Câmara

As gravações não atingiriam apenas o Executivo. O próprio Legislativo municipal de Rio Grande da Serra também teria sido alvo de registros clandestinos.
Diante disso, a Câmara Municipal contratou uma empresa técnica especializada para investigar a origem do material. Segundo informações constantes em processo interno mantido pela presidência da Casa, a apuração teria apontado o próprio vereador Tico como responsável pelas gravações.
Apesar da gravidade das acusações, o caso permanece envolto em silêncio institucional.
Governo enfrenta desgaste administrativo
Enquanto as disputas políticas se intensificam, a administração municipal também enfrenta críticas pela condução da máquina pública.
Entre os problemas apontados em Rio Grande da Serra estão:
- Trocas constantes de secretários;
- Pautas administrativas consideradas erráticas;
- Interferências políticas e familiares na estrutura do governo – como a tentativa de convencimento na mudança de secretário;
- Nomeações de pessoas ligadas a diferentes grupos políticos externos.
Esse cenário teria criado uma estrutura administrativa fragmentada, com secretarias atuando sem integração ou coordenação estratégica.
Secretarias estratégicas sob suspeita
As duas áreas responsáveis pelas maiores receitas e investimentos da prefeitura — Educação e Saúde — também estariam no centro de polêmicas.
Na Educação, há investigações em curso envolvendo possíveis irregularidades administrativas, que ligam uma empresa a um esquema de “guarda-chuva” envolvendo outras empresas que foram denunciadas por fraude em licitações e pagamento de propina.
Já na Saúde, servidores municipais teriam denunciado suspeitas de influência de grupos externos criminosos na condução de contratos da pasta.
Um histórico recente de instabilidade política em Rio Grande da Serra
Para analistas locais, o atual cenário de crise política em Rio Grande da Serra também é consequência de conflitos institucionais que marcaram a cidade nos últimos anos.
Durante a gestão do ex-prefeito Claudinho da Geladeira, um grupo de nove vereadores foi acusado de receber propina para promover perseguição política e promover a cassação do então chefe do Executivo.

A cidade, ainda hoje, reconhece o acontecimento como um golpe político orquestrado pelo vice-prefeito de Hortolândia, Cafu César, preso no final do ano passado pela Polícia Federal por fraude em licitações, em conluio com os vereadores, para favorecer sua ex-mulher, a então vice-prefeita Penha Fumagalli e interferir nos contratos da prefeitura.
Na época, vários vereadores, liderados pelo então presidente do legislativo, Charles Fumagalli, irmão da prefeita, “receberam” o comando de Secretarias em troca da cassação de Claudinho.
Essas acusações teriam surgido a partir da delação do ex-chefe de gabinete da presidência da Câmara de Rio Grande da Serra, prestada à polícia e anexada a investigações conduzidas pelo GAECO.
Na avaliação de observadores da política regional, os desdobramentos daquele episódio ainda repercutem na atual instabilidade institucional do município.
Hoje, com disputas internas, denúncias cruzadas e pressão popular crescente, Rio Grande da Serra volta a enfrentar um momento de forte turbulência política, com reflexos diretos na governabilidade da cidade que, ao que parece, só serão resolvidos numa próxima eleição municipal.
Márcio Prado

Márcio Prado, mais conhecido como Peninha, carrega há anos o apelido inspirado no personagem dos gibis da Disney. Jornalista com mais de uma década de atuação, ele encontrou no jornalismo investigativo sua vocação, movido pela indignação diante de apurações superficiais e pela determinação em expor esquemas de corrupção, desvios de recursos e práticas ilícitas no poder público e na iniciativa privada. Seu trabalho vai além da publicação direta: muitas vezes contribui de forma anônima com órgãos de investigação, fortalecendo a cidadania e reafirmando o papel da imprensa como fiscal da sociedade.