Cresce o número de internações por doenças inflamatórias intestinais no Brasil
Conscientização e tratamento são essenciais para qualidade de vida
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 19/05/2025
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
As doenças inflamatórias intestinais (DIIs) têm se tornado uma preocupação crescente no Brasil, refletindo um aumento alarmante no número de internações no Sistema Único de Saúde (SUS). Nos últimos dez anos, cerca de 170 mil internações foram registradas devido a essas condições que afetam o trato gastrointestinal, conforme um estudo da Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP), baseado em dados do Sistema de Informações Hospitalares do SUS do Ministério da Saúde.
Os dados indicam um crescimento de 61% nas internações em 2024, quando comparado a 2015, passando de 14.782 para 23.825 internações. Esse cenário levanta preocupações não apenas pela gravidade dos casos, mas também pelo aumento da incidência de novos pacientes sem tratamento. A coloproctologista Ana Sarah Portilho, diretora de comunicação da SBCP, enfatiza que esse fenômeno é mais acentuado em áreas urbanas e industrializadas.
A doença de Crohn e a retocolite ulcerativa são as principais formas dessas enfermidades crônicas, que atualmente não possuem cura definitiva. Neste mês, em meio à campanha Maio Roxo, a SBCP busca aumentar a conscientização sobre as DIIs, com o dia 19 de maio marcado como o Dia Mundial das Doenças Inflamatórias Intestinais.
A SBCP alerta para a importância do diagnóstico precoce e do tratamento imediato para proporcionar uma melhor qualidade de vida aos pacientes. O presidente da entidade, Sergio Alonso Araújo, destaca que a detecção rápida pode levar à remissão dos sintomas e à melhoria significativa na vida diária dos afetados.
As DIIs podem atingir pessoas de todas as idades, mas são especialmente comuns entre adultos jovens, cujas vidas produtivas podem ser severamente impactadas pela condição. Segundo Mariane Savio, coloproctologista, o tratamento contínuo e o diagnóstico preciso são cruciais para evitar complicações que afetam tanto os indivíduos quanto suas famílias.
Os sintomas típicos incluem diarreia crônica (com possíveis sinais como sangue ou muco), dor abdominal intensa, urgência para evacuar, falta de apetite, fadiga e perda de peso. Em casos mais sérios, podem surgir anemia, febre e distensão abdominal, além de complicações que envolvem articulações e pele.
A retocolite ulcerativa atinge especificamente a mucosa do intestino grosso, enquanto a doença de Crohn pode afetar qualquer parte do trato gastrointestinal. As causas dessas doenças ainda estão sob investigação, mas acredita-se que uma combinação de fatores genéticos, ambientais e imunológicos contribua para seu desenvolvimento. O tabagismo é um fator conhecido por agravar essas condições.
O diagnóstico é realizado através da análise clínica detalhada e exames especializados como endoscopia e colonoscopia. Mariane Savio ressalta que o tratamento iniciado precocemente – preferencialmente nos primeiros dois anos após o início dos sintomas – pode reduzir drasticamente a necessidade de intervenções cirúrgicas e melhorar as respostas aos tratamentos disponíveis.
Embora não exista uma cura definitiva para as DIIs, o controle dos sintomas por meio de uma alimentação equilibrada, abandono do tabaco e atividade física regular é essencial. Medicamentos como aminossalicilatos e imunobiológicos podem ser prescritos dependendo do quadro clínico do paciente.
Nos últimos anos, houve avanços significativos nas opções terapêuticas disponíveis para o tratamento das doenças inflamatórias intestinais. A SBCP está promovendo uma série de publicações e vídeos em suas redes sociais para esclarecer dúvidas sobre as DIIs e engajar a população na busca por melhores cuidados relacionados à saúde intestinal.