COP30: 64% dos brasileiros cobram financiamento de empresas
A poucos meses da realização da COP30 no Brasil, agendada para novembro de 2025 em Belém, no Pará, a opinião pública brasileira e global se manifesta de forma contundente sobre a responsabilidade empresarial e o financiamento do combate à crise climática. Uma pesquisa global da Ipsos, intitulada “Atitudes em relação à COP30”, realizada em 30 […]
- Publicado: 17/02/2026
- Alterado: 01/11/2025
- Autor: Daniela Penatti
- Fonte: Serginho Lacerda
A poucos meses da realização da COP30 no Brasil, agendada para novembro de 2025 em Belém, no Pará, a opinião pública brasileira e global se manifesta de forma contundente sobre a responsabilidade empresarial e o financiamento do combate à crise climática. Uma pesquisa global da Ipsos, intitulada “Atitudes em relação à COP30”, realizada em 30 países, lança luz sobre as expectativas e o ceticismo que cercam a 30ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas.
No cerne das reivindicações, 64% dos brasileiros concordam que empresas e indústrias deveriam ser obrigadas a destinar parte de seus lucros para financiar ações de combate às mudanças climáticas. Esse percentual se alinha à média global, que é de 65%. Os dados, coletados entre junho e julho de 2025, mostram uma clara tendência de que a sociedade civil global está cobrando uma responsabilização muito maior do setor privado frente ao agravamento do aquecimento global.
70% dos brasileiros cobram transparência antes da COP30

A pesquisa da Ipsos reforça uma percepção de desequilíbrio de prioridades. No Brasil, sete em cada dez entrevistados (70%) concordam que as empresas priorizam o lucro em detrimento das preocupações ambientais, um índice ligeiramente superior à média global, que registrou 69%.
Outro ponto nevrálgico no debate climático é a questão da justiça e reparação histórica. Os brasileiros demonstram uma forte convicção de que os países desenvolvidos devem fornecer reparações financeiras às nações mais impactadas pelos desastres climáticos, com 59% dos entrevistados concordando com esta afirmação. Esta é uma pauta crucial nas negociações da COP30. Globalmente, 55% dos participantes defendem estas reparações financeiras.
Os maiores defensores desta medida estão em países do Sul Global, como Indonésia (75%), África do Sul (69%), Colômbia (68%) e Itália (66%). Em contraste, o ceticismo é maior em nações mais ricas, com os Estados Unidos (42%), Alemanha (41%) e Japão (38%) apresentando os menores índices de concordância.
A responsabilidade financeira também se estende aos indivíduos de maior poder aquisitivo. A média global da pesquisa aponta que 54% dos entrevistados concordam que bilionários devem arcar com a maior parte dos custos do combate às mudanças climáticas.
Florestas e Agronegócio no Brasil: O papel-chave na COP30
A pesquisa também aborda a política ambiental brasileira e a complexa relação entre desenvolvimento e conservação da Amazônia, um tema de grande relevância para a conferência em Belém, uma das portas de entrada para a floresta.
- Financiamento para Preservação: A maioria dos brasileiros apoia a proposta do governo federal de que os países que preservam suas florestas recebam financiamento para esta finalidade (61%).
- Penalização por Desmatamento: Há também um forte apoio (62%) à ideia de que estes países devem ser penalizados caso promovam o desmatamento.
- Incompatibilidade de Modelos: Uma parcela significativa, de 42% na média global, acredita que a expansão do agronegócio é incompatível com a proteção da Amazônia.
O desejo de soluções baseadas na natureza, combinadas com uma transformação econômica, é evidente. Para 39% dos entrevistados globais, o sucesso da COP30 será definido pela capacidade de “proteger, reflorestar e mudar a economia para torná-la sustentável”. Reforçando este ponto, há uma rejeição quase universal – apenas 4% concordam – à narrativa de que “o desmatamento é parte do desenvolvimento e deve continuar”. Para 11%, a meta de “simplesmente parar o desmatamento” não é considerada suficiente para enfrentar a amplitude das mudanças climáticas.
Ceticismo e a Governança: as barreiras para a Ação Climática
Apesar da urgência e do desejo por soluções, a opinião pública global se mostra dividida quanto à real eficácia da conferência. Quase metade dos entrevistados globalmente (49%) considera a COP30 “meramente simbólica”, uma opinião compartilhada por 43% dos brasileiros.
O ceticismo é mais acentuado em economias avançadas, como a Europa (25% de otimismo) e América do Norte (24%). Em contraste, o Sul Global demonstra maior esperança, com 51% de otimismo no Oriente Médio/África e 43% na Ásia-Pacífico. Curiosamente, os jovens, pertencentes à Geração Z (45%), são os mais otimistas sobre a efetividade da conferência, em comparação com os Boomers (29%).
O levantamento aponta que os maiores obstáculos para o cumprimento das metas climáticas não residem na técnica, mas sim na governança. A falta de vontade política entre os líderes governamentais é citada como a principal barreira (47% no Brasil, 42% globalmente). Em seguida, aparecem a fraca fiscalização contra o desmatamento e a poluição (44% no Brasil) e a falta de financiamento para projetos ambientais.
Apesar do desafio logístico de sediar o evento, 55% dos entrevistados consideram que a COP30 é uma oportunidade para o Brasil demonstrar liderança em sustentabilidade. Além disso, 56% concordam que povos indígenas e comunidades tradicionais devem ter um papel de liderança nas decisões climáticas. A despeito de todo o interesse, menos da metade da população global (44%) reconhece corretamente que a COP é uma reunião para negociar ações de combate à crise do clima, sublinhando a necessidade de maior comunicação e engajamento público antes da cúpula de Belém.