Conta de luz deve subir em 2026 e exige atenção do consumidor

Mesmo com previsão de chuvas favoráveis no início do ano, mudanças no modelo tarifário indicam reajustes e mais bandeiras amarelas e vermelhas

Crédito: Fernando Frazão/Agência Brasil

O cenário da energia elétrica no Brasil para 2026 traz um alerta importante ao consumidor. Apesar da expectativa de boas chuvas nos primeiros meses do ano, a conta de luz deve seguir em trajetória de alta. O motivo não está apenas no clima, mas em alterações técnicas no modelo de precificação do setor elétrico, que tornaram o sistema mais sensível a qualquer risco de escassez hídrica.

A principal mudança está na atualização dos critérios de aversão ao risco usados no cálculo do PLD, o Preço de Liquidação das Diferenças, referência para a formação dos custos da energia no país. Na prática, o modelo passou a penalizar mais rapidamente qualquer cenário que indique possibilidade de seca, o que se reflete diretamente nas bandeiras tarifárias da conta de luz.

Segundo Matheus Machado, especialista do Grupo Bolt, o setor passou a operar com uma lógica mais conservadora. Mesmo sem uma crise hídrica instalada, o sistema antecipa riscos. Isso faz com que bandeiras mais caras permaneçam acionadas por períodos maiores, impactando o consumidor final.

Por que a conta de luz pode subir mesmo com chuvas

Conta de Luz
Divulgação/MME

Historicamente, anos com boas chuvas traziam alívio temporário ao bolso do consumidor. Em 2026, esse efeito tende a ser mais curto. A expectativa do setor é de bandeira verde concentrada entre janeiro e abril, período de maior geração hidrelétrica. A partir de maio, com a chegada do período seco, cresce a dependência de fontes mais caras, como as térmicas.

Além disso, o sistema elétrico brasileiro deve operar com menor sobra estrutural de energia ao longo do ano. Isso reduz a margem de segurança e aumenta a probabilidade de acionamento de bandeiras amarela e vermelha, mesmo sem eventos extremos.

Especialistas avaliam que 2026 pode registrar uma incidência de bandeiras vermelhas superior à observada em 2025, ampliando o peso da energia no orçamento das famílias.

Quanto a tarifa pode subir em cada região

Um estudo da TR Soluções estima que os reajustes médios devem variar conforme a região do país, refletindo diferenças na estrutura de geração e distribuição.

No Sul e no Sudeste, a projeção é de alta média de 9,5%. No Norte, o reajuste estimado é de 7,6%. O Centro-Oeste deve registrar aumento em torno de 6,7%, enquanto o Nordeste aparece com a menor previsão, de 4,4%.

Esses percentuais se somam à pressão já acumulada. Nos últimos 14 anos, o mercado regulado de energia subiu cerca de 45% acima da inflação, o que explica a crescente busca dos consumidores por alternativas.

Alternativas para reduzir o impacto da conta de luz

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(Divulgação)

Diante desse cenário, novas modalidades de consumo ganham espaço como ferramentas de proteção contra a volatilidade tarifária.

Uma delas é o Mercado Livre de Energia, que já está aberto para consumidores de média tensão. Nesse modelo, o consumidor pode negociar contratos diretamente com geradores e comercializadoras, garantindo previsibilidade de preços e descontos que podem chegar a 30% em relação ao mercado regulado.

Outra opção em expansão é a energia solar por assinatura. Nesse formato, o consumidor passa a receber créditos de energia gerados por usinas solares remotas, sem necessidade de instalar painéis no imóvel. Empresas do setor estimam economia média de até 20% na conta mensal, com adesão simples e sem investimento inicial.

O que muda para o consumidor nos próximos anos

Com a abertura gradual do mercado de energia e discussões sobre a inclusão de consumidores residenciais a partir de 2026, o Brasil caminha para um modelo em que a liberdade de escolha será central. Nesse novo contexto, informação e planejamento passam a ser as principais ferramentas do consumidor para reduzir custos.

Entender como funciona a formação da tarifa, acompanhar o ciclo das bandeiras e avaliar alternativas disponíveis será cada vez mais decisivo para atravessar um período de maior pressão no setor elétrico sem comprometer o orçamento doméstico.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 31/12/2025
  • Fonte: Secult PMSCS