Consumo das famílias avança 4,97% e supera projeções do setor
Mercado de trabalho aquecido e renda extra motivam alta anual; itens natalinos ficam mais baratos.
- Publicado: 15/01/2026
- Alterado: 18/12/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Fever
O ritmo de compras nos supermercados brasileiros segue aquecido. De acordo com o monitoramento da Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS), o consumo das famílias registrou um crescimento de 4,97% em novembro de 2025, na comparação com o mesmo mês do ano anterior. Em relação a outubro, o avanço foi de 3,98%.
O desempenho acumulado de janeiro a novembro mostra uma alta de 2,85%, superando a projeção inicial do setor para o ano, que era de 2,70%. Esses dados, que englobam todos os formatos de supermercados, são deflacionados pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), medido pelo IBGE.
Mudança no padrão de compra e renda
A análise aponta que a sequência de quedas nos preços dos alimentos nos últimos seis meses, somada ao aumento da renda, permitiu uma mudança qualitativa no consumo das famílias. O brasileiro deixou de ter uma postura puramente defensiva para buscar produtos de maior valor agregado.
Marcio Milan, vice-presidente da ABRAS, detalha esse movimento:
“Com maior previsibilidade no orçamento, o consumidor ajustou a composição da cesta de abastecimento do lar, sinalizando uma decisão menos defensiva, em que deixa de priorizar exclusivamente o menor preço e passa a buscar melhor relação custo-benefício, com redução da sensibilidade ao preço no curto prazo”.
Os dados corroboram essa análise:
- Mercearia: Itens de maior valor cresceram 2,5 pontos percentuais na participação.
- Limpeza: Produtos premium avançaram 3,8 pontos percentuais.
- Higiene e Beleza: Houve um salto de 23,1% (crescimento relativo) na participação de produtos de maior preço.
Cenário econômico favorece o consumo
O ambiente macroeconômico tem sido um motor vital para sustentar o consumo das famílias. A taxa de desemprego recuou para 5,4% no trimestre encerrado em outubro, o menor nível da série histórica iniciada em 2012. Paralelamente, a massa de rendimento real habitual atingiu o recorde de R$ 357,3 bilhões.
Além dos salários, a injeção de liquidez na economia impulsionou o varejo:
- Bolsa Família: R$ 12,69 bilhões repassados.
- 13º Salário: Estimativa de injeção de R$ 369,4 bilhões na economia (somando as duas parcelas).
- Outros repasses: RPVs do INSS, lotes residuais do Imposto de Renda e abono PIS/Pasep.
Cesta de Natal registra queda de preço
Uma boa notícia para o consumo das famílias neste fim de ano é a redução no custo dos itens típicos das festas. A Cesta de Natal, composta por dez produtos (incluindo peru, panetone, azeite e espumante), ficou 2,4% mais barata na média nacional na última semana.
O valor médio caiu de R$ 351,80 para R$ 343,39. A região Nordeste liderou a retração de preços (-4,0%), seguida pelo Sul (-2,9%). Essa queda reflete a intensificação de promoções e ajustes de estoque em categorias sazonais.
Comportamento de preços no Abrasmercado
O indicador Abrasmercado, que monitora uma cesta de 35 produtos de largo consumo, apontou uma leve retração de 0,05% em novembro. Isso sinaliza uma acomodação dos preços, mesmo diante da demanda aquecida típica do período, beneficiando o orçamento voltado ao consumo das famílias.
Houve movimentos distintos na cesta:
- Altas: Carne bovina (dianteiro +1,48%, traseiro +1,46%), óleo de soja (+2,95%) e cebola (+3,22%).
- Quedas: Tomate (-10,38%), leite longa vida (-4,98%) e arroz (-2,86%).
Vale destacar que, no acumulado do ano, o arroz apresenta uma redução significativa de 25,02%, enquanto o leite longa vida caiu 6,89%.
Panorama regional dos custos
A análise regional do consumo das famílias e dos preços revela disparidades importantes. No recorte da cesta básica de 12 produtos, todas as cinco regiões apresentaram recuo de preços em novembro.
- Região mais barata: O Nordeste consolidou-se como a região de menor custo médio. Capitais como Aracaju (R$ 298,76) e São Luís (R$ 298,88) apresentaram os menores valores.
- Região mais cara: O Norte continua com os maiores preços, com destaque para Belém (R$ 417,20) e Rio Branco (R$ 414,26), impactados principalmente por custos logísticos.
- Sudeste e Sul: Mantêm valores elevados, com São Paulo registrando R$ 359,92 e Curitiba chegando a R$ 369,71.