Consultas por diabetes quase dobram em São Paulo
A Secretaria da Saúde reforça a importância do diagnóstico precoce após atendimentos de diabetes crescerem 97% no estado
- Publicado: 25/06/2026 14:44
- Alterado: 25/06/2026 14:44
- Autor: Daniela Ferreira
- Fonte: Governo de São Paulo
Os atendimentos ambulatoriais relacionados ao diabetes na rede pública de saúde de São Paulo deram um salto alarmante. Dados divulgados pela Secretaria de Estado da Saúde (SES-SP) revelam que, em 2025, o SUS registrou 108.174 procedimentos clínicos no estado, um aumento de 97% em comparação com os 54.974 atendimentos contabilizados em 2024.
O balanço foi apresentado em alusão ao Dia Nacional do Diabetes, lembrado na sexta-feira (26). Os dados de internações hospitalares também subiram 12%, saltando de 23.611 para 26.426 no mesmo período comparativo. Já no primeiro quadrimestre de 2026 (janeiro a abril), o estado já soma 48.178 consultas ambulatoriais e 8.107 internações pela doença.
Alimentos ultraprocessados e reflexos da pandemia

De acordo com especialistas, o crescimento exponencial de pacientes procurando ajuda médica está diretamente ligado à piora no estilo de vida da população. O envelhecimento dos paulistas, o avanço dos índices de obesidade, o sedentarismo e a troca de refeições caseiras por produtos industrializados e ultraprocessados são os grandes vilões.
Os médicos alertam ainda que o isolamento e as restrições vividas durante a pandemia de Covid-19 deixaram sequelas comportamentais de longo prazo, fixando hábitos alimentares ruins e diminuindo a frequência de exercícios físicos no cotidiano.
“As mudanças nos hábitos alimentares, com maior consumo de alimentos ultraprocessados, e os impactos residuais da pandemia também agravam esse cenário”, explica o médico geriatra Eduardo Canteiro Cruz, diretor clínico do AME Idoso Sudeste.
Quando não é descoberto cedo ou é tratado de forma incorreta, o diabetes pode evoluir para quadros graves, como:
- Infartos e Acidentes Vasculares Cerebrais (AVC);
- Insuficiência renal crônica (com necessidade de hemodiálise);
- Perda gradativa da visão (retinopatia diabética);
- Problemas de circulação e neuropatias, que geram feridas de difícil cicatrização e riscos de amputação.
A meta dos 150 minutos e o papel das UBSs

Para prevenir a doença, a recomendação médica foca em reeducação e movimento. O indicado para adultos é praticar ao menos 150 minutos de atividades físicas por semana (e 60 minutos diários para crianças), além de cortar o excesso de telas, refrigerantes e doces, priorizando alimentos naturais. Perder entre 5% e 10% do peso corporal já reduz drasticamente o risco de se tornar diabético.
Para tentar conter o avanço da doença na raiz, o Governo de São Paulo informou que já repassou mais de R$ 1,5 bilhão aos 645 municípios por meio do programa IGM SUS Paulista. A verba é carimbada para reforçar a infraestrutura das Unidades Básicas de Saúde (UBSs), que são a porta de entrada para a realização de exames preventivos de glicemia e a distribuição gratuita de medicamentos de controle.