Concursos públicos: Brasil é penúltimo em ranking latino sobre seleção de servidores
Relatório da OCDE mostra país em penúltimo lugar; especialistas defendem modernização dos concursos públicos
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 20/08/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Sorria!,
Um levantamento da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) apontou que o Brasil ocupa a penúltima posição entre 11 países da América Latina na qualidade dos processos de seleção de servidores públicos. Apenas o Paraguai ficou atrás.
O índice atribuiu ao Brasil 0,13 ponto em uma escala de 0 a 1, enquanto a média da região é de 0,27. Entre os países da OCDE, a média sobe para 0,45.
Provas objetivas dominam processo
O sistema brasileiro se apoia quase exclusivamente em provas escritas, voltadas à análise de conteúdos cognitivos. Já em países como Uruguai, Colômbia, Estados Unidos e Reino Unido, etapas como entrevistas, verificação de currículo e análise de competências comportamentais complementam a avaliação.
No Brasil, práticas como defesa de memorial aparecem apenas em áreas restritas, como concursos para magistratura e docência universitária. O Concurso Nacional Unificado, criado em 2024, começou a incluir provas discursivas e análise de títulos em algumas carreiras, mas de forma limitada.
Resistência e custos influenciam modelo
Pesquisadores da área de administração pública destacam que a predominância das provas se deve tanto ao histórico de nepotismo e clientelismo quanto à tentativa de reduzir gastos.
No entanto, essa escolha gera consequências: servidores pouco qualificados dificilmente são reprovados no estágio probatório, que deveria funcionar como filtro. Entre 2014 e 2024, apenas 0,19% dos ingressantes no Executivo federal foram desligados nesse período.
Caminhos para mudança
Segundo especialistas, o Brasil tem condições de adotar mecanismos semelhantes aos de outros países, como provas práticas e entrevistas. O obstáculo, no entanto, está no risco de judicialização e na resistência política, sobretudo em municípios, onde fraudes ainda são registradas.
O Ministério da Gestão e da Inovação destaca que a nova Lei Geral dos Concursos prevê etapas mais diversificadas, com ênfase em competências e habilidades, mas a efetiva aplicação dependerá da regulamentação e da aceitação dos gestores públicos.