Compras coletivas: a empolgação está se transformando em frustração
Queixas de consumidores no Procon de Santo André aumentam 100%
- Publicado: 18/11/2011 11:18
- Alterado: 18/11/2011 11:18
- Autor: Ivana Hammerle
- Fonte: SECOM PSA
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O que era para ser uma simples compra de uma cadeira reclinável de bebê para carro tornou-se dor de cabeça para Claudinei Luiz. Ao receber o produto, no dia 10 de setembro, adquirido por meio de site de compras coletivas, o empresário constatou que havia defeito no assento e a qualidade era inferior.
Insatisfeito com o negócio, Luiz entrou no site para requerer a devolução, conforme determina o Código de Defesa do Consumidor, mas teve dificuldades, principalmente por causa das letras minúsculas que não facilitavam a leitura. Além disso, não foi encontrado nenhum número de telefone para contato na página, apenas um formulário para esclarecimentos de dúvidas e reclamações.
A alternativa do empresário então foi solicitar a retirada do produto na sua residência e a devolução do dinheiro – já que havia feito a compra com cartão de crédito -, junto à empresa que anunciou a oferta. No entanto, ele explica que a retirada da mercadoria foi recusada diversas vezes e que, só depois de insistir, registrar 12 protocolos e falar na ouvidoria, é que levaram a cadeira de volta ao local de origem.
Apesar da vitória deste capítulo, a novela do consumidor está longe de um fim. Isso porque, até o momento, não houve reembolso do dinheiro. “Pensam que nós, consumidores, somos idiotas. Espero que meu caso sirva de alerta para as pessoas usam essa modalidade e-commerce, que aprovo e acho interessante, desde que sejamos tratados com seriedade”, ressalta Luiz.
Até a diretora do Procon de Santo André, Ana Paula Satcheki, foi surpreendida com as compras coletivas. Após adquirir um pacote com tratamentos estéticos, de R$ 785 por R$149 (81%), ligou para a empresa para agendar os procedimentos. Mesmo sem passar por qualquer avaliação, a clínica já estava determinada a realizar o solicitado. “Fiquei em dúvida e disse que conversaria, primeiramente, com meu médico, que, por sua vez, me aconselhou a não experimentar essa técnica”, esclarece.
Da mesma forma que Claudinei Luiz, a diretora teve dificuldades para localizar o contato na página on-line. “Encontrei o telefone com muito custo, e, depois de inúmeras tentativas, consegui falar, pois só ficava ocupado ou caia numa gravação eletrônica que desligava automaticamente quando os atendentes não estavam disponíveis”, diz a diretora.
Ana Paula, também pleiteia a devolução do dinheiro em virtude da não realização do serviço. “É um absurdo o que estão fazendo com os consumidores! Não há respeito algum, pois além de toda dificuldade em falar com o site, estou há um mês esperando uma resposta que deveria ser imediata.” A diretora acrescenta que ninguém está isento dos transtornos que esta modalidade de compras pode causar. “Estamos estudando as providências cabíveis junto aos responsáveis que poderão, até mesmo, culminar em aplicação de multas”, ressalta.
Não é por outra razão que as queixas dos consumidores têm aumentado junto ao Procon de Santo André. Na comparação de janeiro a novembro de 2010 com o mesmo período deste ano houve alta de 100% no número de atendimentos relacionados às compras coletivas. Os sites mais reclamados foram Peixe Urbano, Groupon, Clickon e Groupalia. Já os problemas mais comuns foram a não entrega e demora na entrega de mercadorias, desistência de compra e serviço não fornecido, principalmente de aparelhos telefônicos (celular, interfone e fixo), produtos relacionados a lazer e cultura e de uso pessoal (depilador e barbeador).