Como Todos os Atos Humanos ganha temporada no Sesc Pinheiros
O espetáculo Como Todos os Atos Humanos retorna a SP com atuação de Fani Feldman e direção de Rui Ricardo Diaz em curta temporada.
- Publicado: 15/01/2026
- Alterado: 15/01/2026
- Autor: Redação
- Fonte: Fever
Após uma trajetória aclamada pelos palcos cariocas, o espetáculo Como Todos os Atos Humanos, da Cia. do Sopro, desembarca na capital paulista para uma temporada estratégica no Sesc Pinheiros. A montagem, que ocupa o Auditório da unidade de 22 de janeiro a 21 de fevereiro, mergulha no realismo fantástico para discutir temas urgentes como a violência de gênero e o desmantelamento de estruturas patriarcais. Com apresentações de quinta a sábado, às 20h30, a peça utiliza o simbolismo visceral para provocar uma reflexão profunda sobre o silenciamento feminino.
Universo poético e referências de peso em Como Todos os Atos Humanos
A dramaturgia de Como Todos os Atos Humanos é um mosaico erudito que bebe de fontes literárias e filosóficas densas. O texto tem como ponto de partida as obras de Marina Colasanti, Giorgio Manganelli e Nelson Coelho. A encenação propõe um diálogo invertido com o mito grego de Electra: aqui, o gesto extremo de ruptura é um parricídio metafórico, simbolizado pelo ato de “furar o olho do pai”.
Sob a direção precisa de Rui Ricardo Diaz — conhecido por seu protagonismo na série Impuros e sua recente incursão no cinema internacional com o filme Anaconda —, a peça transforma o palco em um território arquetípico. A estética do espetáculo dialoga com a potência expressiva de artistas visuais como Francis Bacon e Edvard Munch, explorando a deformação da figura humana como ferramenta de denúncia contra os mecanismos de vigilância impostos aos corpos das mulheres.
Atuação de Fani Feldman recebe elogios da crítica
No centro da cena, a atriz Fani Feldman entrega uma performance solo que tem sido classificada como “vertiginosa”. Conhecida pelo público por sua atuação na primeira temporada de Impuros, Fani não apenas atua, mas assina a dramaturgia de Como Todos os Atos Humanos. Sua interpretação é pautada pelo rigor do Laboratório Dramático do Ator, técnica desenvolvida por Antonio Januzelli, mestre na investigação do intérprete criador.
A recepção da crítica especializada reforça a densidade da obra:
- Folha de S.Paulo: Destacou o forte impacto sensorial da montagem, que evita clichês psicológicos para abordar a violência.
- Teatro Hoje: O crítico Furio Lonza ressaltou a capacidade da atriz em conduzir o público por uma viagem de imagens e símbolos transformadores.
- Welington Andrade (CCBB-SP): Definiu a experiência como um catalisador de sensações na fronteira entre o fantástico e o grotesco.
Um manifesto contra o patriarcado no palco
Em um cenário social onde os índices de feminicídio permanecem alarmantes, Como Todos os Atos Humanos se posiciona como um manifesto artístico necessário. O “parricídio ocular” em cena não deve ser lido de forma literal, mas como o aniquilamento simbólico da redoma masculina que historicamente monitora o destino feminino.
A Cia. do Sopro utiliza a arte para sugerir o extermínio dessa vigilância asfixiante. “O espetáculo reafirma sua atualidade ao propor um ato catártico contra a naturalização da violência”, explicam os realizadores. A montagem convida o espectador a testemunhar a insubmissão de uma filha que rompe o ciclo de dominação através de um gesto de liberdade absoluta.
Serviço e Programação
A temporada de Como Todos os Atos Humanos no Sesc Pinheiros é curta e promete sessões concorridas. Confira os detalhes para planejar sua visita:
- Período: 22 de janeiro a 21 de fevereiro de 2026.
- Horários: Quinta a sábado, às 20h30.
- Sessão Especial: Dia 06 de fevereiro, haverá uma sessão vespertina às 16h.
- Local: Auditório do Sesc Pinheiros (Rua Paes Leme, 195).
A produção conta com nomes renomados na ficha técnica, como Osvaldo Gazotti na iluminação e Daniel Infantini no cenário e figurinos, garantindo que cada elemento visual potencialize a mensagem de ruptura proposta pelo texto.