Comitê de Estabilidade Financeira do Banco Central alerta para riscos na concessão de crédito
O Comef alerta sobre riscos econômicos, como altas taxas de juros e inadimplência, e recomenda cautela na concessão de crédito para evitar crises.
- Publicado: 20/01/2026
- Alterado: 19/02/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Farol Santander São Paulo
Em um comunicado emitido nesta quarta-feira, 19, o Comitê de Estabilidade Financeira (Comef) do Banco Central expressou preocupações sobre a atual situação econômica, marcada por uma elevação na taxa básica de juros e níveis elevados de inadimplência. O órgão enfatizou a necessidade de cautela redobrada na concessão de crédito, considerando os desafios enfrentados tanto por famílias quanto por empresas.
O Comef destacou que a combinação de alta nas taxas de juros, comprometimento da renda familiar e crescente endividamento exige um enfoque rigoroso na qualidade dos empréstimos e no apetite ao risco por parte das instituições financeiras. Esse posicionamento foi reforçado por meio da pesquisa trimestral sobre as condições de crédito divulgada na semana anterior, que sinalizou uma provável deterioração nas condições de oferta de crédito ao longo do ano.
Adicionalmente, o comitê recomendou que as instituições sob supervisão continuem a adotar uma gestão prudente em relação ao capital e à liquidez, especialmente em face das incertezas econômicas vigentes. O Comef também se mostrou atento às dinâmicas financeiras internacionais, embora tenha optado por não comentar diretamente sobre ações recentes nos Estados Unidos.
Entre os aspectos monitorados estão as consequências das políticas monetárias e fiscais das economias desenvolvidas, alterações nas políticas comerciais, reavaliações de ativos financeiros globais e eventos geopolíticos que possam impactar a estabilidade econômica.
Apesar dos alertas emitidos, o Comef reafirmou a resiliência do sistema financeiro nacional frente ao risco de crédito. As provisões para perdas, juntamente com os níveis adequados de liquidez e capital dos bancos, foram considerados suficientes para enfrentar possíveis adversidades.
A autoridade monetária tem mantido uma postura cautelosa em relação à expansão dos empréstimos, destacando os efeitos potenciais dessa prática sobre o ciclo de aumento das taxas de juros. Isso ocorre em um contexto onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defende novas medidas para estimular o consumo através da ampliação do acesso ao crédito.
Esse movimento se contrapõe à estratégia do Banco Central, que implementou um aumento nas taxas para conter a inflação. Atualmente, a Selic se encontra em 13,25% ao ano, com projeções indicando um novo aumento para 14,25% ao ano durante a reunião programada para março.