Comércio paulista projeta perdas de R$ 17 bilhões em 2026
Calendário com mais feriados em dias úteis impulsiona prejuízo estimado em 13,9% acima do ano anterior, segundo dados da FecomercioSP.
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 19/01/2026
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
O Comércio paulista enfrentará um cenário desafiador em 2026, com uma estimativa de deixar de faturar R$ 17 bilhões devido ao calendário de feriados e emendas. O levantamento, realizado pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), aponta que o aumento no número de pausas em dias úteis elevará o volume de perdas em 13,9% na comparação com 2025.
Essa projeção representa um prejuízo adicional de R$ 2,1 bilhões para o setor. A diferença substancial ocorre pela configuração do calendário: enquanto o ano anterior registrou nove feriados em dias úteis e cinco “pontes”, 2026 trará, respectivamente, 12 datas comemorativas durante a semana e quatro possibilidades de emenda.
Mesmo com cifras expressivas, é necessário contextualizar o impacto real sobre a receita anual. A FecomercioSP estima que o faturamento total do varejo no último ano tenha girado em torno de R$ 1,5 trilhão. Diante desse montante, o valor que o Comércio paulista deixará de arrecadar corresponde a aproximadamente 1,1% da receita anual, uma fatia pequena, porém relevante para o planejamento financeiro das empresas.
Impacto setorial no Comércio paulista
Nem todos os segmentos sentem a retração da mesma forma. As perdas se concentram massivamente em atividades essenciais e de grande fluxo diário. Supermercados e farmácias, por exemplo, absorvem a maior parte do impacto negativo.
Dados detalhados pela Federação mostram como o prejuízo será distribuído entre as principais atividades do Comércio paulista:
- Supermercados: Lideram o volume absoluto de perdas, com R$ 8,2 bilhões a menos (48,4% do total) e elevação de 15% em relação ao ano anterior.
- Outras atividades (Combustíveis): Devem concentrar 25% das perdas, somando R$ 4,2 bilhões (alta de 11,1%).
- Farmácias e Perfumarias: Apresentam a maior alta proporcional (15,8%), alcançando R$ 2,3 bilhões de prejuízo.
- Vestuário, Tecidos e Calçados: Previsão de deixar de faturar quase R$ 2 bilhões (alta de 14,9%).
- Móveis e Decoração: Devem registrar perdas menores, na casa dos R$ 280 milhões (alta de 5,8%).
O estudo abrangeu feriados nacionais e estaduais cruciais, incluindo Carnaval, Páscoa, Dia do Trabalho, Corpus Christi, Consciência Negra e Natal.
Estratégias para mitigar prejuízos
Empresários precisam adotar táticas flexíveis para recuperar a meta de vendas em dias úteis normais. A dinâmica de cada negócio exige soluções específicas, mas a integração com canais digitais surge como uma saída universal. O e-commerce, operando 24 horas e sem fronteiras geográficas, permite que o Comércio paulista continue ativo mesmo com as portas físicas fechadas.
Outra alternativa viável é a criação de parcerias estratégicas com o setor de Serviços. Ofertas onde a compra de um produto garante benefícios em lazer — como ingressos de cinema ou descontos em restaurantes — podem atrair o consumidor antes do feriado. Promoções agressivas nos dias que antecedem as datas comemorativas também ajudam a antecipar o fluxo de caixa.
Turismo caminha na contramão
Enquanto o varejo tradicional contabiliza perdas, o setor de Turismo aproveita o aumento de dias livres para expandir receitas. Cidades do interior e litoral com vocação turística tendem a receber um fluxo maior de visitantes, aquecendo a economia local.
Durante as folgas prolongadas, as famílias direcionam gastos para transporte, hospedagem e alimentação fora do lar. Esse movimento de compensação econômica equilibra parcialmente os resultados estaduais, embora exija adaptação e resiliência dos lojistas do Comércio paulista.