Em Mauá, futebol de várzea realiza campanha de combate ao feminicídio

Ações de conscientização chegam aos campos amadores para alertar os homens e frear o aumento alarmante da violência contra as mulheres.

Crédito: Diego Barros

O combate ao feminicídio ganhou um reforço estratégico nos campos amadores de Mauá. Neste último domingo de Dia Internacional da Mulher, a Secretaria de Políticas Públicas para Mulheres levou a conscientização diretamente para um grande reduto masculino. A iniciativa visa transformar o esporte em uma ferramenta de educação social contínua.

A gestão municipal entende que reverter as estatísticas trágicas de violência de gênero exige diálogo franco. O foco do projeto é atingir os agressores em potencial e conscientizar a comunidade sobre a gravidade das agressões domésticas. O esporte atrai multidões e funciona como um canal poderoso para desconstruir o machismo estrutural enraizado na sociedade.

A importância do combate ao feminicídio no esporte

Levar a mensagem do combate ao feminicídio aos estádios amadores quebra o silêncio e a conivência histórica. Durante a 5ª rodada da Série Especial do Campeonato Mauaense, os atletas entraram no Campo do Jardim Itapeva segurando faixas informativas.

O prefeito Marcelo Oliveira destacou a urgência de educar a população masculina. A prefeitura tem investido em frentes de proteção como a Patrulha Maria da Penha e em programas de habitação, mas a conscientização baseada na prevenção segue sendo o pilar central.

“É preciso comemorar as conquistas, mas também é preciso lutar contra o assassinato das mulheres. Hoje, 97% são mortas por companheiro ou ex-companheiro e uma é assassinada no Brasil a cada seis horas.”

O presidente da Liga Mauaense de Futebol Amador, Cláudio Márcio da Silva, solicitou essa parceria institucional de forma proativa. O dirigente reforçou que a violência destrói famílias e afeta profundamente toda a comunidade no entorno dos clubes.

“Covardia não faz parte do esporte! Foram quase seis mil mortes, 256 só em 2025, no Estado de São Paulo.”

Estruturas de apoio e canais de denúncia

Engajar a sociedade civil é um passo crucial no combate ao feminicídio em âmbito municipal e estadual. Durante a partida entre Scorpions e Bom Recanto, equipes especializadas distribuíram materiais detalhados sobre a rede de proteção, apresentando opções seguras para denúncias.

O grande destaque da panfletagem foi a divulgação ostensiva do ZAP DELAS (11 92013-5871). O canal via aplicativo de mensagens acelera o atendimento policial e oferece socorro rápido para vítimas em situação de vulnerabilidade extrema.

Panorama nacional exige ações enérgicas

A Lei do Feminicídio (13.104/2015) completa onze anos com indicativos muito preocupantes. O balanço nacional mais recente mostra que a educação punitiva e preventiva precisa escalar rapidamente para evitar novas tragédias.

Os números consolidados de 2025 revelam um cenário duro e inaceitável no Brasil:

  • 6.904 vítimas totais registradas.
  • 34% de aumento nos casos em relação a 2024.
  • 4.755 tentativas frustradas de assassinato.
  • 2.149 mortes consumadas.

Iniciativas conjuntas provam que o futebol de várzea tem um poder mobilizador e transformador imenso. O verdadeiro combate ao feminicídio começa quando a sociedade inteira assume a responsabilidade inegociável de proteger a vida feminina.

  • Publicado: 09/03/2026
  • Alterado: 09/03/2026
  • Autor: 09/03/2026
  • Fonte: PMM