Clubes do Brasileirão pedem adiantamento de punições do Fair Play Financeiro para até 2028

Após a crise das bets, times brasileiros tentam mudança de regras importantes

Clubes do Brasileirão pedem adiantamento de punições do Fair Play Financeiro para até 2028

Crédito: Fotógrafo: Thiago Ribeiro / Staff Images / CBF

Liderados pelo Santos, clubes da Série A do Campeonato Brasileiro articulam junto à CBF a prorrogação do período de carência do novo Fair Play Financeiro nacional. Pelo regulamento vigente, a partir de dezembro o atraso no pagamento de dívidas deixará de render apenas advertências e passará a ser punido com sanções severas: multas, bloqueio de verbas, transfer ban, perda de pontos e até rebaixamento. O pleito dos dirigentes sugere postergar o início das punições para o fim de 2027 ou novembro de 2028.

O colapso das apostas e o risco de ‘calote em cadeia’

A pressão sobre a CBF e sobre a recém-criada Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (ANRESF) intensificou-se após a publicação da Medida Provisória do Governo Federal que suspendeu a atuação das casas de apostas no país. O impacto no mercado da bola é gigantesco:

  • Inadimplência generalizada: Treze dos 20 clubes da Série A possuem contratos com bets, acumulando mais de R$ 900 milhões em patrocínios anuais. Apenas os quatro grandes de São Paulo (Corinthians, Palmeiras, Santos e São Paulo) somam R$ 375 milhões anuais nessas parcerias.
  • Ações na Justiça e rescisões: O Santos rompeu o contrato com a máster Novibet, prevendo reatar apenas se o cenário regulatório retroceder — algo visto como improvável. Diante do prejuízo, 21 clubes das Séries A e B acionaram o Supremo Tribunal Federal (STF) contra a MP.
  • Passivo bilionário: Dirigentes alegam ser inviável sanar um endividamento histórico superior a R$ 16 bilhões em menos de um ano, sob o risco de deflagrar um “calote em cadeia” no futebol brasileiro.

Pleito de isonomia no regulamento brasileiro

O Fair Play Financeiro foi concebido pela CBF para frear o endividamento crônico dos clubes e aproximar o futebol nacional dos padrões de sustentabilidade da UEFA. Contudo, os dirigentes argumentam que há uma assimetria na implantação do projeto:

Pilar do Fair Play Financeiro brasileiroPrazo Atual / Proposto pelos Clubes
Punições por dívidas antigasInício em dezembro de 2026 (Clubes pedem adiamento para 2027/2028)
Teto de gastos com elencoTransição progressiva até 2028
Limite de endividamento curto prazoAdequação gradual até 2030

Para as diretorias, conceder prazos longos para o teto salarial e exigir quitação imediata de débitos antigos durante um choque repentino de arrecadação fere o princípio da isonomia e inviabiliza a gestão da maioria dos clubes do país.

  • Publicado: 03/10/2026 07:00
  • Alterado: 03/10/2026 04:31
  • Autor: Redação