Clubes de São Paulo começam a retirar marcas de bets
Clubes a partir desta terça-feira já não poderão mais fazer publicidade das empresas de apostas
- Publicado: 05/10/2026 23:05
- Alterado: 05/10/2026 23:05
- Autor: Redação
A Medida Provisória que suspende as casas de apostas no Brasil tem um novo momento nesta terça-feira (6): proibindo a veiculação de publicidade de bets no país. Com isso, os clubes de São Paulo começaram a retirar as marcas de seus uniformes e demais propriedades comerciais, seja física ou nas redes sociais.
O cronograma da suspensão das Bets
- 25 de setembro (sexta-feira): publicação da MP; novos aportes financeiros às plataformas de apostas estão proibidos.
- 5 de outubro (segunda-feira), até 23h59: último prazo para o apostador retirar voluntariamente o dinheiro depositado nas bets.
- 6 de outubro (terça-feira), a partir das 0h: apostas oficialmente encerradas no país; plataformas não podem mais oferecer apostas nem veicular publicidade.
- 7 e 8 de outubro (quarta e quinta-feira): as bets precisam repassar às instituições financeiras a relação de saldos remanescentes, com valores discriminados por CPF.
- 1º a 14 de outubro: janela para os bancos devolverem os saldos aos apostadores.
- A partir de 14 de outubro: se os bancos não conseguirem devolver os valores, a Caixa Econômica Federal assume a operação.
As primeiras mudanças nos clubes de São Paulo
O São Paulo já retirou a marca da Superbet do site oficial, mas no treino desta segunda-feira o logo estava presente. O Palmeiras treinou sem o logo da Sportingbet no uniforme. O Corinthians segue com a Esportes da Sorte em todas as propriedades, tanto digitais como no uniforme do treino desta segunda. O Santos é o único que já havia suspendido o contrato com a Novibet.

Preocupação dos clubes x fatores socioeconômicos
A medida acende um alerta no futebol brasileiro. Com o retorno do Brasileirão marcado para 7 de outubro, os clubes temem não poder mais exibir publicidade de casas de apostas — principal fonte de patrocínio do esporte nacional. As bets estampam camisas, placas, naming rights e competições inteiras.
Dos 20 clubes da Série A, 13 são patrocinados por casas de apostas. Juntos, os contratos somam mais de R$ 900 milhões fixos por temporada. Os quatro grandes de São Paulo — Santos, São Paulo, Corinthians e Palmeiras — recebiam, juntos, R$ 375 milhões fixos por ano em contratos com bets.
Apesar disso, o governo argumenta que elas ocasionam problemas na economia, com dinheiro do orçamento familiar sendo destinado ao jogo, além do campo da saúde, com os casos de vícios e dívidas geradas por ele.
Clubes recorrem ao STF
A deliberação também desencadeou uma resposta jurídica. Clubes de distintas divisões do futebol brasileiro recorreram ao Supremo Tribunal Federal (STF) para contestar as implicações da medida provisória.
O movimento visa debater a legitimidade da proibição e as repercussões econômicas no âmbito do futebol. O ministro Luiz Fux exerce a função de relator das ações que contestam a referida medida e requereu dados ao governo antes de proceder à avaliação dos requerimentos apresentados.